
“Fortalecer a defesa nacional não significa militarizar a sociedade nem abandonar a tradição pacífica brasileira. Significa investir em ciência, tecnologia, inteligência, indústria e capacidade de dissuasão.”
João Antônio da Silva Filho
O mundo assiste ao surgimento de uma nova e acelerada corrida armamentista. Não se trata simplesmente da repetição da Guerra Fria, mas de uma disputa por poder que combina interesses econômicos, domínio tecnológico, controle de recursos estratégicos, influência geopolítica e capacidade militar.
O exemplo histórico mais emblemático dessa corrida armamentista ocorreu durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputaram a supremacia militar e nuclear. Em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos utilizaram bombas atômicas contra Hiroshima e Nagasaki. Quatro anos depois, em 1949, a União Soviética realizou seu primeiro teste nuclear, rompendo o monopólio norte-americano sobre essa tecnologia.
A partir daí, as duas potências acumularam arsenais de proporções extraordinárias. Paradoxalmente, a capacidade de destruição mútua tornou-se um dos fatores de dissuasão de um confronto militar direto. A competição, entretanto, ultrapassou os arsenais e alcançou a ciência, a tecnologia, a economia e a exploração espacial.
O mundo de hoje é diferente. A dimensão ideológica permanece presente, mas já não explica, por si só, a natureza das disputas internacionais. O comunismo deixou de representar a ameaça global que lhe era atribuída durante a Guerra Fria, embora continue sendo utilizado, sobretudo por setores da direita radical, como recurso retórico para legitimar determinados projetos políticos, econômicos e culturais e, em situações extremas, justificar ameaças e intervenções contra outros Estados. As pressões sobre Cuba e a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, inserem-se nesse cenário em que argumentos ideológicos se misturam a interesses econômicos e geopolíticos.
No cenário contemporâneo, os interesses econômicos, tecnológicos e geopolíticos assumiram enorme centralidade. A disputa envolve energia, minerais estratégicos, semicondutores, inteligência artificial, dados, cadeias produtivas, rotas comerciais e tecnologias militares. Poder econômico, poder tecnológico e poder militar tornaram-se dimensões cada vez mais interligadas de uma mesma disputa pela hegemonia.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a comunidade internacional procurou construir instituições capazes de impedir que a humanidade voltasse a experimentar uma catástrofe daquela magnitude. A principal delas foi a Organização das Nações Unidas, fundada em 1945 com o propósito de preservar a paz, promover a cooperação internacional e assegurar princípios de convivência entre Estados soberanos.
Hoje, porém, a ONU demonstra dificuldades crescentes para cumprir plenamente essa função histórica. Guerras, intervenções militares, disputas entre grandes potências e violações da soberania dos Estados revelam os limites das estruturas multilaterais construídas no pós-guerra. Quando os organismos internacionais perdem capacidade de mediar conflitos e fazer prevalecer o direito internacional, a força tende a ocupar o espaço deixado pela política e pela diplomacia.
Continua em Traço de União, não deixe de ler sobre como o cenário global afeta o Brasil e por que as precauções apontadas no epígrafe acima são fundamentais para a soberania nacional brasileira:

Um comentário em “A nova corrida armamentista e a soberania brasileira”