
O saudoso Lejeune Mirham dedicou sua vida, até há poucos meses, a conhecer e compartilhar conhecimento sobre a contribuição árabe à Humanidade. Entre muitos estudos, estes são trechos de seu estudo sobre Ibn Khaldun al Raman al Arabi.
Khaldun foi altamente produtivo do ponto de vista intelectual. Mas a sua obra que é considerada magistral e de referência para tantos estudiosos e pesquisadores foi El Mukhadima que quer dizer Os Prolegômenos – uma introdução à História Universal. Posteriormente a ela e publicada em sete volumes saiu Kitab Al-Ibar, que significa “História Universal”, que só veio à luz em 1867 na cidade do Cairo e publicada em inglês. Essa obra é considerada pela UNESCO como uma das obras da literatura mundial de referência.
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Khaldun analisa os diferentes tipos de trabalho, exatos 596 anos antes que Émile Durkheim publicou seus estudos sobre isso em 1893. Ele estabeleceu o caráter produtivo dos serviços em geral 399 anos antes de Smith ter apresentado as sus teorias em 1776, quando publicou a sua magistral A Riqueza das Nações. Khaldun teorizou pela primeira vez sobre o valor das coisas 490 anos antes de Karl Marx ter publicado o volume do Capital em 1867. Por fim, Khaldun também “dá” conselhos aos sultões que serviu, com base na sua obra, exatos 136 anos antes de Maquiavel publicar a sua obra prima intitulada O Príncipe em 1513.
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De forma resumida, podemos dizer que Khaldun trata em sua magistral obra de poder (antes de Maquiavel). Trata da solidariedade, como conceito de assabyya muito antes de Durkheim ter estudado o tema. Trata dos ciclos de poder muito antes de Vilfreto Pareto. Trata do valor das coisas e as relaciona com trabalho muito antes de Marx (Smith trata disso também, mas não consegue enxergar a diferença entre trabalho produtivo e improdutivo, segredo que só Marx desvendaria). Por fim, até sobre o “estado natural” Khaldun trata, muito antes de Hobbes.O maior historiador inglês Arnold Toynbee (1889-1975) disse sobre ele: “Ibn Khaldun é o mais inteligente intérprete da morfologia da história que já surgiu em qualquer lugar do mundo até hoje”.
Quiçá nos dias atuais pudéssemos ter pelo menos um Khaldun que nos iluminasse os caminhos tão difíceis e tortuosos que temos tido a necessidade de trilhar. Somente pelo estudo de pensadores como esse e de todos os grandes que os sucederam, citados neste artigo de forma suscinta, é que poderemos desenvolver um pensamento mais avançado e evoluído sobre a organização de nossa sociedade, que concentra renda e riqueza nas mãos de tão poucos.
Mais sobre a obra do filósofo Ibn Khaldun e a produção intelectual do próprio Lejeune Mirhan podem ser conhecidas no linque:
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Um comentário em “Vida e obra de Ibn Khaldun”