Partido comunista e a luta pelo socialismo no século 21

Porto Alegre recebeu a quarta etapa do Ciclo de Debates promovido pela Fundação Maurício Grabois, abordando o Projeto de Resolução Política em análise no 16º Congresso do PCdoB. O foco da rodada é a questão partidária, detalhada na terceira parte do PRP.

Raul Carrion

O ex-deputado gaucho Raul Carrion foi o moderador da noite. Ele situou o momento como de interferência estrangeira direta no país com o tarifaço e os ataques ao Judiciário e reforçou a importância de o Partido cumprir papel relevante em conduzir a luta a bom termo.

Saudaram o evento o metalúrgico e ex-deputado federal Assis Melo, representado a direção estadual, que conclamou a todos a erguer a bandeira brasileira em defesa da soberania e contra os traidores da Pátria; o “sempre governador” Tarso Genro, que chamou a atenção para o fascismo iminente no decadente EUA, que demanda uma frente ampla para enfrentar o deságio econômico e o golpe de Estado continuado; e o ex-deputado José Fortunati, que lembrou da resistência da direita às mudanças estruturais e a necessidade da frente ampla, inclusive resgatando o máximo de eleitores de Bolsonaro que queira voltar à Pátria mãe gentil.

Nádia Campeão

Primeira dirigente partidária nacional a palestrar, a Secretária de Organização do PCdoB Nádia Campeão destacou a importância do Partido Comunista nesta situação de intensa disputa política e ideológica, com baixa mobilização das massas populares.

Quando o Índice de Confiança Social aponta sindicatos e partidos abaixo dos 50% no Brasil – o governo lidera positivamente, revela-se imperioso reverter a tendência de rebaixamento do papel estratégico do partido e equilibrar as três frentes do trabalho partidário: institucional, de massas e a luta de ideias. Nádia destacou também que lutas fragmentárias desperdiçam energia e recursos, sendo primordial o movimento unificado das forças progressistas.

Ricardo Abreu (Alemão)

O economista Ricardo Abreu historiou o sucesso da revolução desde a vitória soviética na Rússia, em 1917: se nos anos seguintes fracassaram tentativas revolucionárias e o o imperialismo respondeu com o fascismo ao avanço da luta, quando este foi derrotado pela URSS China e outros países alcançaram a independência e a construção socialismo. Dos anos 80 do século passado em diante configurou-se um período de defensiva estratégica.

Hoje vive-se a terceira fase história do avanço socialista, com destaque para China e Vietnã e com ampla miliatância comunista dos partidos no poder e fora dele. Para que mais países conquistem seus projetos de revolução nacional é preciso derrotar o fascismo, enfativou Alemão, e dar protagonismo e formação à juventude. Ele destacou ainda o protagonismo partidário na Bahia, exemplo para a revolução brasileira.

Nivaldo Santana

O Secretário Sindical do partido elaborou sobre a centralidade do trabalho em um partido de classe. A crise sistêmica do capitalismo, com o baixo crescimento, concentração de capital, financeirização e queda na taxa de lucro, busca resposta no aumento da exploração do trabalho, para compensar o crescimento do capital constante na produção.

Nivaldo registrou a mudança da organização do trabalho advinda da desregulação, individualização e invisibilização dos trabalhores, mais preocupados com o fim do mês do que com o fim do mundo. É importante incluir os informais à CLT, recuperar direitos e fortalecer os sindicatos, que devem ir aonde os trabalhadores estão – locais de trabalho, de residência e de vida social -, para elevar-lhes a consciência em si e de si e permitir ampliar seu recrutamento às filieiras partidárias.

Carlos Lopes

O vice-presidente do PCdoB, Carlos Lopes, centrou sua fala em classificar os ataques de Trump ao Brasil e o mundo, que tem feito acentuar o debate sobre a Soberania nacional, como um sinal de fraqueza do império, embora não menos preocupante do ponto de vista da violência. Um prenúncio de uma nova era, tempo de transição para um novo modo de produção.

O diretor da Hora do Povo vê semelhança entre as situações do Brasil e da China, que errou ao repetir o processo russo em 1927. A Rússia era um país imperialista atrasado, a China, como é hoje o Brasil, um país dependente. As medidas defensivas são boas, mas é necessário um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil avançar no seu processo revolucionário de emancipação nacional, que já contou com a obra de Getúlio e Jango, mas foi obstaculizado pela ditadura militar.

A questão essencial da revolução é sempre a democracia, o aumento da partipação popular no Poder, concluiu Lopes, de modo que a questão central hoje é a emancipação nacional.

O ciclo completo de debates envolve:

  1. Crise do capitalismo e da globalização neoliberal
  2. Mundo em transição – Imperialismo
  3. Mudanças estruturais para o Brasil do século XXIhttps://youtu.be/Xf5SYSBDLpU
  4. Partido Comunista e a luta socialista no século XXI
  5. Conjuntura desafiadora às forças progressistas e democráticas

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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