O trabalhador e a crise estrutural do capitalismo

Sob a mediação do professor Hildo Montysuma, do núcleo de filosofia da Escola, o encontro teve como palestrante Nivaldo Santana, Secretário Nacional Sindical do PCdoB, dirigente da CTB e que já foi deputado estadual por São Paulo e presidente do SINTAEMA.

Hildo introduziu o tema sob a ótica marxista: sendo a forma de produção o condicionante da vida social, o ciclo capitalista – vitalidade, crescimento, crise e estagnação – tem produzido, nessa longa fase 4, miséria, fascismo e a guerra, criando dificuldades para a libertação do proletariado frente à opressão do trabalho assalariado que, em medida crescente, tem sido substituído por plataformas tecnológicas. O professor formulou a pergunta básica:

Quais mecanismo tem o capitalismo para manter o povo preso à lógicado capital e como superar esse estado de coisas?

Nivaldo estabeleceu ser estrutural a crise corrente do capitalismo, que opera longamente em recessão ou estagnação, mostrando o fracasso do neoliberalismo. Cada vez mais a produção é trocada pelo financismo e as guerras.

A aplicação da ciência e a tecnologia na produção e serviços melhora a produtividade e altera significativamente a organização do trabalho, bem como a sua composição orgânica, reduzindo o componente variável em relação ao fixo e reduzindo a taxa de lucro. Como consequência, aumenta a exploração do trabalho, para reduzir-se o custo.

O trabalho, essencial para a existência humana, segue sendo a fonte primaz da transformação da natureza e da extração da mais-valia. Só perde essa segunda condição com a superação do capitalismo. É com o aumento da exploração da mão-de-obra que os proprietários dos meios de produção procuram recompor seu retorno sobre o capital.

E como convencer os trabalhadores de que essa é uma medida “natural” nas relações de produção? São duas as formas principais.

Primeiro difundindo a ideologia meritocrática, procurando estabelecer a lógica contrária dos mosqueteiros: cada um por si e Deus para todos, explicou o Secretário sindical. A esse “princípio” somam-se pautas, não só toleradas como incentivadas pelos donos do capital, que desviam a atenção da centralidade do trabalho, envolvendo o que se chama hoje de identitarismo: qualquer ponto em comum entre subgrupos da Humanidade é tido como mais relevante do que a sua condição de produtor.

É evidente que são justas e urgentes as reivindicações de gênero, étnicas, etárias e outras, mas a sua solução passa primeiramente pela relação laboral entre as pessoas, pela contradição entre o capital e o trabalho, prosseguiu Santana.

O trabalho, no entanto, encontra-se cada vez mais atomizado, com ocupações de baixa qualificação e em muitos casos controlado por aplicativos como organizador. O domínio pelos capitalistas da suprestrutura política leva à redução de direitos e da representação de classe pelos sindicatos, e é secundado pelos meios de comunicação – rádio, TV, redes sociais, igrejas e outras organizações midiáticas.

Como alterar essa correlação de forças e conquistar a subjetividade do trabalhador?

A resposta ainda não está de todo pronta, segundo o dirigente sindical. Mas certamente passa pelo uso das mesmas ferramentas que o capital tem se utilizado para organizar o trabalho e estabelecer a sua dominação ideológica sobre quem explora.

As redes sociais podem ser de utilidade não só para a nova organização das classes trabalhadoras, como também para a sua comunicação e formação, que podem se servir de atividades culturais e outras formas contemporâneas da luta ideológica.

Luta que será longa e tenaz, concluiu Nivaldo. Mas imprescindível para superar um sistema que tem muito pouco ainda a oferecer para melhorar a vida de bilhões de seres humanos.

Entre outros temas relevantes, o programa debateu a pertinência de substituição do dólar dos EUA como moeda de referência.

A Live do João vai ao ar todas as terças-feiras, às 19 horas, na TV Grabois.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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