O Brasil no capitalismo do século 21

Os economistas Márcio Pochmann, da Unicamp, e Luciana Caetano da Silva, da UFAL, organizaram um curso sobre o livro homônimo, de autoria de ambos, que “coloca em evidência o contraste entre o período do capitalismo urbano-industrial, marcado pela modernização da estrutura produtiva no Brasil, sob o comando do estado nacional, e o neoliberalismo, marcado pelo aprofundamento das desigualdades econômicas e maior dependência do Brasil ao centro dinâmico do capitalismo global.”

Como apresentaram os professores, “tal dependência deriva-se de um projeto de regressão ao passado, assentado na tríade mineração-agricultura-pecuária e renúncia à modernização, cujos reflexos são percebidos na Divisão Internacional do Trabalho. Dividido em 4 capítulos, a investigação avança sobre a configuração da estrutura produtiva, à luz das desigualdades territoriais”.

Para a aula inaugural do curso, que conta com mais quatro aulas, foram convidados mais três acadêmicos para tecer suas considerações sobre a obra.

“Um livro que contraria correntes hegemônicas”, observou Dari Kerin, também da Unicamp. Sendo o Brasil um país da periferia, fatores externos somam-se aos endógenos para condicionar a dinâmica interna, também sujeita a escolhas políticas, segundo o professor.

A partir da crise dos anos 80 o país reprimarizou-se, demandando um novo projeto nacional de desenvolvimento que considere não só o crescimento econômico, concluiu Kerin, mas também o bem-estar do povo.

A seu turno, a professora Liana Aureliano, da Facamp, alertou que, mesmo diante da regressão do país ao modelo agroexportador, o Brasil segue com a sua unidade sociocultural, a unidade nacional. Observou a migração da produção industrial para a Ásia e externou preocupação com a potência militar das velhas matrizes do capital.

O desenvolvimento sustentável brasileiro impõe aproveitar a importância do país tanto para os EUA e seus satélites europeus como para a China e demais BRICS, acrescentou.

Completando o trio de convidados esteve Liana Carleial, da UFPR. Ela destacou a desmodernização da economia brasileira após 1980, à sequência da modernização conservadora e industrializadora da era Vargas.

Falta ao Brasil hoje tecnologia própria: enquanto a Coreia avança nesse campo, o antigo setor nacional de autopeças, por exemplo, esfacelou-se. A burguesia nacional, explicou a professora, deixou de se preocupar com a produção e o consumo externo, facilitando a superexploração do trabalho dos brasileiros e aumentando a dependência ao exterior. Completou ela sobre a importância do desenvolvimento regional e concluiu instigando a todos a “não assistir a isso de braços cruzados”.

O curso está estruturado em cinco aulas:

Autores Márcio Pochman e Luciana Caetano

Assista às aulas ministradas, disponíveis pela Unicamp no Youtube.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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