O Instituto Conhecimento Liberta, de Eduardo Moreira, produziu em 9.7.2023 uma aula em dois blocos sobre narrativas econômicas que visam convencer os incautos da inevitabilidade da sua condição de provedor da riqueza alheia. Foram dois blocos, com a presença dos professores Pedro Rossi e Juliane Furno.
O anfitrião esclareceu ser mais difícil avaliar os efeitos do neoliberalismo quando este surgiu, nos anos 1980, mas hoje uma nova geração de economistas está apta a quebrar mitos que são repetidos pelos bancos como se fossem gabarito de prova.
Mito 1
Meritocracia, a fábula que justifica a desigualdade

A teoria econômica procura justificar que a pobreza, mesmo incômoda, não é injusta, pois a acumulação financeira derivaria do mérito individual e o mercado arbitraria de modo neutro quem vence a competição pelo fruto do trabalho social. O ponto de partida diferenciado entre os produtores é ilustrado pelos professores convidados, que garantem não haver qualquer mérito em receber uma herança. por exemplo. Sendo a meritocracia impossível no capitalismo, cabe ao Estado procurar equilibrar as condições dos agentes econômicos oferecendo, entre outros, cada vez mais serviços universais, para que sua fruição individual dependa menos da renda de cada família.
Alega-se que o Estado, como a família, só poderia gastar o que ganha, sob o risco de quebrar. No plano privado, a austeridade é tida como uma qualidade, em oposição à condição de sujeito perdulário. No entanto, não é possível transpor esses conceitos à esfera pública, que é coisa distinta. Se na crise a família tende a cortar gastos, o Estado precisa fazer o contrário. E mais: se a renda da família é determinada externamente a ela, a pública é imposta a todos pelo ente estatal, por delegação da sociedade. O governo pode arrecadar mais ou se endividar quando precisa de recursos adicionais à sua obra, tendo ainda o poder legar de emitir moeda. Na avaliação dos convidados, no Brasil não há carência de recursos monetários, mas a alocação dos recursos deixa a desejar.
Mito 2
O orçamento público deve ser administrado como a nossa casa


Mito 3
Menos Estado, mais crescimento e liberdade

O Estado brasileiro é muito menor que o dos países de economia liberal, quando se compara o número de servidores públicos com a população do país. E gasta menos que os países desenvolvidos: embora a educação, por exemplo, consuma do PIB parcela semelhante à da Suiça, lá se gasta três vezes mais por estudante que no Brasil. Além de ser o investidor possível em obras de grande porte e lento retorno, como uma ferrovia ou uma hidrelétrica, o investimento estatal tem o condão de fortalecer, com suas encomendas, o mercado privado. Como notam os professores, corte de gastos não gera confiança em investir.
Ante o dito de que o corte de gastos beneficiaria os mais pobres, dois argumentos foram apresentados: a austeridade pública desaquece o mercado e causa desemprego e contração dos salários e renda familiar; e serviços antes prestados pelo Estado ficam ao alvedrio da iniciativa privada, que trata direitos (saúde, água, educação) como mercadoria e objeto de lucro. No início do século 21 os gastos públicos cresceram 5% ao ano, mas o Brasil não quebrou, pois a receita aumentou mais do que isso. A emissão de títulos públicos para fechar as contas é outra opção estatal, tão ao gosto dos rentistas, porém transfere renda, novamente prejudicando os mais pobres.
Mito 4
Se o Brasil não cortar gastos a economia vai quebrar


Os conceitos e ilustrações foram apresentação na aula do ICL, a partir do livro de Pedro Rossi e Juliane Furno, Economia para transformação social.
No segundo bloco da aula, outros quatro mitos foram destruídos.

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O Estado brasileiro é muito menor que o dos países de economia liberal, quando se compara o número de servidores públicos com a população do país. E gasta menos que os países desenvolvidos: embora a educação, por exemplo, consuma do PIB parcela semelhante à da Suiça, lá se gasta três vezes mais por estudante que no Brasil.
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