E dá-lhe, Frente Ampla

Elder Vieira, no Vermelho (29.7.2022)

Fecha-se o cerco, como dissemos. Mas a partida não está ganha. Se há muito o que comemorar, há ainda muito com que se preocupar

São muitas as datas e eventos a comemorar:

Dia 27 de julho, o Solidariedade, partido de Paulinho da Força, aderiu à Aliança Juntos pelo Brasil, liderada por Lula e Alckmin. Para o 11 de agosto que vem chegando, o movimento popular e variadas forças políticas convocam ato unitário em defesa do Estado de Direito. Até agora, mais de 300 mil[1] são as assinaturas do manifesto que será lido no Largo de São Francisco, na capital paulista, em defesa da democracia.

A 20 de agosto, o Vale do Anhangabaú, palco do Comício de um milhão e meio pelas Diretas em 1984, está agendado para receber o primeiro ato político da campanha de Luiz Inácio e Geraldo. Simbolismo político p’ra lá de metro.

Aprofunda-se, pois, o isolamento do facinoroso do Planalto, e o cerco vai se fechando. O povo, consultado pelas pesquisas, não somente quer majoritariamente Lula, como quer democracia, comida na mesa, emprego e salário que prestem, paz, e economia nos trilhos, sem carestia, sem desindustrialização.

O povo pede e clama; o empresariado conversa. Com quem? Com Luiz Inácio, mais o Geraldo.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Fiesp, lança carta em defesa da democracia e pede que o Estado de Direito seja respeitado. Apesar das vozes empresariais dissonantes, seu presidente, filho do falecido José Alencar, mantém a entidade patronal no campo da democracia.

Industriais têxteis apresentam demandas que, necessariamente, tocam em questões de soberania nacional, de custos de produção encarecidos pelos preços da energia e dos combustíveis e, para não perderem viagem, buscam saber como é que fica mesmo esse lance de reforma trabalhista que os trabalhadores já avisaram que tem de revogar.

Banqueiros andam a dizer que é melhor ficar o Brasil com alguma coisa do pacto de 1988, quando assinamos a Constituição Cidadã – hoje um bocado mutilada, é verdade; mas tem lá seus princípios, a senhora. E se banqueiro cogita trocar de barco, é que a coisa ‘tá boa não pro lado de seus candidatos do coração.

Os que hoje se chamam de agronegócio também resolveram fazer suas embaixadas. Senhores de investimentos sensíveis aos abalos internacionais e ao comportamento diplomático do Estado brasileiro, pecuaristas e plantadores de diferentes culturas foram por certo apresentar lula com chuchu como oferenda para que os deuses do mercado não prejudiquem ainda mais os seus ganhos.

A caserna, por seu turno, não deixou por menos: enviou suas mensagens cifradas ao indigitado e seu parceiro bandeirante. Um bom pedaço das Forças Armadas da combalida República ‘tão gostando muito não do miliciano boquirroto. Talvez tocados pela memória da FEB e da FAB na Segunda Guerra, e das glórias de Barroso no Riachuelo, comandantes de alta patente das três armas procuraram discretamente o candidato do povo para apresentar-lhe suas dores de cabeça e alguns desejos da corporação.

Fecha-se o cerco, como dissemos. Mas a partida não está ganha. Se há muito o que comemorar, há ainda muito com que se preocupar.

Acuado, o lado de lá vai destilando seu veneno, articulando suas forças, proclamando suas más intenções e programando seu golpezinho acalentado. Mandou dizer o meliante palaciano que é a última convocação que fará de sua matilha. Não se sabe o quanto de disposição há na banda fascista. Por isso, nada de baixar a guarda e cantar vitória. Todas as forças democráticas, da esquerda à direita, estão de prontidão e devem assim continuar.

Agora, mais do que antes, entidades sindicais e populares, movimentos sociais, partidos e candidaturas de diferentes tendências e níveis de disputa, militantes e bases parlamentares, trabalhadores, gerentes, empresários, homens e mulheres de todas as idades – todos devemos falar ao povo, explicar-lhe os acontecimentos, encarecer a democracia como palco privilegiado para lutas e conquistas, defender as eleições e as urnas eletrônicas, conquistas da Nação.

Dissemos na semana passada e repetimos: o povo na rua é a mais importante linha de resistência a golpes – planeados, factíveis ou arrotados, não importa – bem como é a força decisiva para a vitória do Grêmio Recreativo Civilização e Liberdade nestas eleições. Por isso, a campanha de cada candidato do campo democrático, seja ela a majoritário ou a proporcional, deve se fazer instrumento de mobilização de massas e de união de amplas forças políticas e sociais em defesa da democracia e da reconstrução do Brasil.

[1] As assinaturas à Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito já dobraram e caminham para somar o primeiro milhão.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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