Soneto do perdido amor

Elder Vieira, 7 de Julho de 2022

Amar e não saber-se enfim amado

– eis o que consome e entristece.

E o coração que d’uma dor assim padece

não pode estar seguro e sossegado.

Não se trata de querer-se apaziguado,

ou sem fome que de alimento até esquece:

É ter um bem que de ausência não se tece,

nem de tormento por toda a via assim tomado.

A quem vive o desamor não apetece

voltar a ver ternos caminhos passeados

onde morrem por inanes seus cuidados.

Antes pede que o esqueçam assim em prece

aos termos da saudade que fenece

feito flor de um jardim abandonado.

O escritor e poeta Elder Vieira é secretário-geral do Sindicato dos Escritores de São Paulo, secretário de Formação Política do PCdoB no Estado de São Paulo e participou de trabalhos de gestão pública nos Ministérios da Cultura e do Esporte, e nas Prefeituras de Aracaju, Rio de Janeiro e São Paulo

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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