Gerencialismo militar e o Brasil 2035

Os institutos General Villas Bôas, Federalista e Sagres apresentaram recentemente o “Projeto de Nação – O Brasil em 2035”. Eivado de boas intenções conforme apresentados nos portais dos elaboradores, o projeto ganhou debate no Diário da Crise.

A edição nº 106 do programa contou com a participação da professora do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ Adriana Marques, ao lado do economista Eduardo Costa Pinto, e dedicou-se à análise da proposta trazida por setores ligados às Forças Armadas, que pode ser obtido na Escola Sagres, mediante cadastro.

O apresentador trouxe como premissa dito de campanha de Jair Bolsonaro, que desejava entrar na história não pelo que construísse, mas pelo que destruísse. Uma obra que se quer fazer perdurar por mais treze anos, para que não reste o acesso à educação e saúde públicas e gratuitas, para que a doença da corrupção seja curada com a morte do Brasil doente, com Estado cada vez menor, gerido ao modo militar, como se o governo fosse um Estado-maior.

Adriana pontuou que não se trata de um avanço para o futuro, mas uma volta para o passado rural, anterior às ideias tenentistas de desenvolvimento nacional autônomo.

Professores da UFRJ

Tudo com o fantasioso desejo de “acabar com o comunismo”, como apregoam os institutos autores da peça. Desindustrializar o Brasil para eliminar a classe operária, desideologizar a universidade para reduzir o ensino à obediência servil ao mercado financeiro internacional, caminhar para o modelo feudal no país. E, no limite, quebrar o Judiciário e a democracia.

No entanto, a Defesa Nacional, tema em que os militares têm o seu míster constitucional, não seria abalada. Em 2035, as Forças Armadas encontrar-se-iam muito bem apetrechadas. Mas como, se o Estado nacional e a indústria local são debelado ao extremo? Importando tudo o que corresponde à uma moderna máquina de guerra, como se os países imperialistas mais desenvolvidos tivessem interesse de o Brasil se defender das suas próprias garras.

Uma visão de mundo atrasada e distante da realidade do país, resumem os debatedores. Um “documento confuso em termos conceituais, é uma estratégia de planejamento de uma ditadura militar”, como apontou Marques. Fruto de mentes que pouco saíram da caserna e vivem, desde o nascimento, circunscritos à Vila Militar.

O programa Diário da Crise é apresentado pelo professor de economia Eduardo Costa Pinto e integra a programação do Canal IE, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE – UFRJ)

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: