A “internacional financeira”

Eduardo Bomfim, no Bonifácio

No atual milênio, a concentração e centralização do capital financeiro especulativo atingiu tal dimensão e gigantismo, que este passou a controlar não apenas os fluxos globais das riquezas, mas, estendeu-se aos diversos segmentos vitais às identidades dos povos do mundo, investindo, em especial nas novas gerações, incentivando, maciçamente, no que Hobsbawm “profetizou” no final do século XX, como o “presente contínuo” em relação a essas novas gerações do futuro.

Ou seja, comunidades globais de pessoas, sem referências com o passado e sem perspectivas para com o futuro. Ao tempo em que essa nova etapa da globalização predadora e especulativa procurou preencher a grande lacuna de ausências de causas, projetos e ideias com relação ao indivíduo e ao coletivo social, com uma nova agenda dispersiva, fragmentária, com aquilo que se pode chamar de “políticas do próprio umbigo”, conhecidas como agendas identitárias.

Inaugurou-se assim, a nova “guerra cultural” entre uma nova “esquerda” e uma nova “direita” que se engalfinham em uma batalha de uma “nova ideologia” dissociada das grandes questões que afligem as grandes maiorias sociais ausentes desses debates, restritos ao mundo acadêmico, que passeiam nas comunidades acadêmicas, extratos da classe média e no mundo artístico, provocando um evidente distanciamento desses segmentos da realidade das nações.

Quem dita e financia esse pugilato ideológico é exatamente o capital financeiro especulativo, que impõe uma “contrarrevolução” de cima para baixo, cujo porta voz vem sendo a grande mídia hegemônica global, com as suas pautas interagindo com as redes sociais, também controladas por um ínfimo número de biliardários acima do controle de todos.

A luta do presente e futuro é e continuará sendo contra a brutal dominação desse capital financeiro, que reina olimpicamente no planeta, a grande mídia global a ele associada, e o monopólio de meia dúzia de poderosos que dominam o mundo das redes sociais.

O mundo em que vivemos, de ódios extremamente polarizado, irracional, e crescente, a falta de informações razoavelmente isentas na grande mídia, o tiroteio incessante nas redes sociais, provocam um total desconhecimento dos fenômenos nacionais e globais, resultam em sociedades confusas, angustiadas, depressivas, incapazes de formar uma ideia em comum do contexto de suas vidas e da sociedade. É o que nós presenciamos também no Brasil do terraplanismo, anti-ciência, e teses medievais, versus determinados setores progressistas desorientados.

A causa central desse imbróglio tem sido a “Internacional Financeira”, a grande mídia hegemônica global, e o mundo esquizofrênico das redes sociais, que nós frequentamos e que nos manipulam sistematicamente. Será uma longa batalha pela lucidez dos indivíduos e das sociedades.

Eduardo Bomfim é advogado e foi deputado constituinte em 1988.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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