Dia do Engenheiro

Ela está presente todos os dias, o dia todo. Nos bens de uso, nos meios e processos de produção e até na defesa da Democracia. É a Engenharia, que torna a vida mais confortável e disponível ao que ela tem de melhor.

11 de Dezembro é dia de saudar os profissionais do ramo, cujo dia-a-dia é fazer o país mais desenvolvido e independente.

Reproduzimos a saudação da Professora Doutora Márcia Ângela Nori, ela própria presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia, publicada originalmente sob o chamamento É hora de avançar na disputa do Estado brasileiro“.

“Em 11 de dezembro, comemoramos o dia do engenheiro e da engenheira. Neste dia, no longínquo ano de 1937, o Presidente Getúlio Dornelles Vargas assinou o decreto regulamentando o exercício profissional da Engenharia e Arquitetura. 

A Engenharia faz parte do nosso dia a dia: quando acordamos, nos alimentamos, nos deslocamos, nos comunicamos, nos divertimos etc., com certeza estaremos usufruindo de um projeto, um produto, uma obra que teve a participação de Engenheiros nas suas diferentes modalidades.

A engenharia cumpre sua função social diariamente na cidade e no campo, ajudando a construir um País mais justo, desenvolvido e sustentável.

Os engenheiros e as empresas de engenharia brasileira nada devem em tecnologia, conhecimento e inovação às empresas e profissionais estrangeiros, apesar de que em  um passado recente (década de 90), os profissionais de engenharia enfrentaram um  período histórico que se  notabilizou pelo desmonte do Estado brasileiro, desregulamentação, desindustrialização e a ofensiva neoliberal, que teve como consequência o fechamento de empresas de engenharia consultiva e de construção. Muitos profissionais foram demitidos, e outros migraram para outros ramos de atuação.

A partir de 2005, o cenário mudou. Principalmente com o fortalecimento do mercado interno, a retomada dos investimentos públicos em infraestrutura e a implantação do programa, Minha Casa  Minha Vida, exploração do Pré – Sal, investimento em infraestrutura de transportes provocou um ciclo virtuoso de crescimento em toda cadeia da construção civil: na indústria, no comércio e na construção.

A partir de 2016, o Brasil entrou em um processo de recessão que foi agravado com a política de privatização, desinvestimentos do governo federal e da destruição das empresas de Engenharia em decorrência da operação lava jato.

Apesar deste quadro desfavorável é possível a retomada dos investimentos centrado em uma política de desenvolvimento nacional baseado na substituição das importações e na retomada do investimento públicos em logística: ferrovia, rodovia, portos e aeroportos.

Esta possibilidade é reforçada devido ao novo marco regulatório do sistema portuário e na definição do modelo de concessão das ferrovias brasileiras, estes setores têm um potencial de investimento na ordem 750 bilhões de reais.

Todo este investimento deverá contar com participação expressiva de profissionais de Engenharia, desafiando o Estado e a sociedade brasileira a priorizar os investimentos em educação, formação e capacitação de profissionais da área tecnológica que consigam atender aos seguintes pressupostos: Empreender, Inovar, Projetar, Executar e Gerenciar. Em vista deste quadro é fundamental atrair jovens para carreira tecnológica, diminuir a evasão (em torno de 30 % nos dois primeiros anos dos cursos de Engenharia) e aproximar a Universidade das empresas pública e privada, tornando a formação e os cursos mais atuais e conectados com a realidade social e econômica do Brasil. 

Apenas para exemplificar, na China, 33 % dos graduados são Engenheiros, na Coréia do Sul, 65%, e no Brasil apenas 9% dos concluintes do ensino médio ingressam nas engenharias.

É necessário que, neste dia festivo, para nossa categoria, a sociedade e o poder público reflitam a importância da atuação deste profissional na construção do bem-estar do ser humano. 

A luta das nossas entidades pela valorização profissional, pelo cumprimento do Salário-Mínimo Profissional (SMP) e o reconhecimento da engenharia como carreira de Estado, como são os juízes e os promotores públicos, são medidas fundamentais para o aumento da capacidade e da eficiência do Estado Brasileiro.

O Estado brasileiro está em disputa e cabe aos engenheiros exercer um papel estratégico na construção de uma sociedade mais justa, democrática e sustentável.”

Viva a Engenharia e os engenheiros do Brasil!

Com a devida vênia à colega, cabem duas ligeiras observações, que em nada obscurecem a bela homenagem que fez aos engenheiros brasileiros. O processo recessivo antecede ao menos em um ano a 2016, já que o encolhimento de 2015 foi de 3,55%; após o rompimento do monopólio de intermediação de serviços de engenharia, a Petrobrás estabeleceu contrato direto com mais de uma centena de firmas nacionais. Não é demais lembrar que no período de 2011 a 2014, 1.085 empresas do Brasil mudaram de bandeira, mais do que nos dois governos anteriores.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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