O trabalho é o fio condutor para ler o lugar das mulheres na sociedade

No processo de preparação à 3ª Conferência do PCdoB pela Emancipação da Mulher, a noite de sexta foi reservada à plenária sindical do partido. Superlotaram a sala virtual homens e mulheres ligados à luta trabalhista e feminina.

O título compõe a apresentação de Ana Rocha.

Aos presidentes da CTB e da CGTB coube a palavra inicial do encontro. Adilson Araújo destacou a regressão de dez anos da posição da mulher no mercado de trabalho, quem mais sente os efeitos da política negacionista e genocida. Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, lembrou da multidão desocupada e a pequena parcela que já foi vacinada, clamando homens e mulheres a juntos defenderem a independência e o patrimônio público do Brasil.

A Secretária da Mulher do PCdoB, ex-Senadora pelo Amazonas Vanessa Grazziotin, atribuiu à irresponsabilidade do governo a perda de muitas das vidas acometidas pelo coronavírus. Convocou a todos, homens e mulheres, à luta pela emancipação feminina, pois a conquista dos direitos da mulher será vitória de todos os trabalhadores.

Congresso Nacional da Mulher Trabalhadora, 1986

O cuidado da casa e das pessoas pela mulher sempre foi trabalho sem remuneração, mesmo quando ela foi trazida à reprodução do capital no trabalho social, empurrando para baixo o preço do trabalho em geral.

Marcia Campos, brasileira presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres e Secretária-adjunta partidária, lembrou que, para a vacina, o auxílio emergencial e o emprego, “dinheiro tem, falta vergonha na cara”. Se as mulheres são mais da metade da população e do eleitorado – 85% dos profissionais da saúde” -, precisam se integrar na luta pela emancipação do Brasil, por vida com desenvolvimento, para a humanidade seguir em frente.

A psicóloga, jornalista e mestra em Serviço Social Ana Rocha expôs os conceitos do mundo do trabalho sob a perspectiva de gênero. Seus estudos revelam a permanência da desigualdade de gênero no mundo do trabalho, bem como a reduzida presença feminina na direção dos sindicatos de trabalhadores. Em parte, a dupla jornada dificulta sua atuação no meio sindical, requerendo incentivo e condições para o pleno exercício do seu potencial.

Quando a Secretária da Mulher do Governo Federal declama que esta tem que obedecer ao homem, uma ampla frente se mostra ainda mais necessária para construir um Brasil livre e soberano, em que homens e mulheres trilhem juntos para salvar o país e o nosso povo.

Não deixe de ler as reflexões históricas sobre a emancipação feminina, colecionadas por Carlos Pereira.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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