Darcy Ribeiro e Os Brasileiros

O jornalista Marco Antonio Gonçalves resgatou histórica entrevista de Darcy Ribeiro à Folha de São Paulo, que em 1995 a concedeu “logo depois de fugir do hospital”. Em sua reprodução, que nos servimos abaixo, a Hora do Povo destaca do autor de Os Brasileiros: “Brasil: uma civilização mestiça, tropical e orgulhosa de si mesma, por Darcy Ribeiro”.

Duas das questões:

Quando partiu para o trabalho de campo o sr. foi direto ao encontro dos índios kadiwéu?

Queria pesquisar esses índios cavaleiros. Eram dos índios mais falados do Brasil, os únicos que tinham adotado os cavalos. Criaram um verdadeiro império, que ia da fronteira de São Paulo até a Bolívia. Do norte de Mato Grosso até Assunção. Era um império. Uma gente que substituiu praticamente o parto pela adoção. Tomavam crianças de dois anos das tribos que eles dominavam e as mulheres criavam esses meninos. Eu me preparei para estudar esses índios, mas como não sou besta, antes de ver os meus índios quis ver outros, para ter uma base de comparação. Estudei os terena e os kaiowá.

Com ele o sr. partiu para o trabalho na área de educação?

Foi depois de 54 que deixei de trabalhar com índios e passei a trabalhar com o Anísio Teixeira. Ele se apegou muito a mim. Era uma pessoa com muitos planos, que trabalhava com o Juscelino. Ele enfrentou uma campanha de setores da Igreja e eu saí em defesa dele. O Juscelino o manteve no governo e acabamos indo trabalhar juntos. Foi daí surgiu a ideia da Universidade de Brasília. Junto com os líderes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência formulei o projeto de uma universidade de novo tipo. Passei dois anos lutando para criá-la. (+3018 palavras, Hora do Povo)

Ambas os periódicos resgataram um texto inédito do antropólogo, que assim conclui:

CONFRONTOS DE CIVILIZAÇÕES

Somos Povos Novos, cuja tarefa é reinventar o humano

Somos Povos Novos ainda na luta para nos fazermos a nós mesmos como um gênero humano novo que nunca existiu antes. Tarefa muito mais difícil e penosa, mas também muito mais bela e desafiante.

O Brasil é já a maior das nações neolatinas, pela magnitude populacional, e começa a sê-lo também por sua criatividade artística e cultural. Constrói-se na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra. (+726 palavras, Hora do Povo)

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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