A democracia, a derrota de Trump e a extrema-direita decadente

Sergio Fausto, diretor da Fundação FHC, na companhia de Simon Shwartzman, trouxe a jornalista estadunidens Anne Applebaum, dedicada a noticiar a democracia mundo afora, para avaliar a derrota de Trump e o futuro da exterma-direita.

O grupo do Partido Republicano, um dos dois grandes dos EUA, com o apreço de metade dos eleitores, que invadiu o Capitólio não se defrontava com seus oponentes do Partido Democrata, nem mesmo tratava de iniciar uma nova guerra civil no país. O ataque foi ao sistema eleitoral como um todo, ao que os norte-americanos conhecem por democracia no seu país, explicou Anne.

6 de Janeiro não foi um ato isolado de um grupo extremista, um em cada cinco cidadãos apoiou a ação e, mesmo que a metade deles seja esclarecida nos dias que se seguiram, um número expressivo demonstrou não aceitar as regras do jogo nem confiar nas autoridades nacionais e estaduais do seu país. Applebaum lembrou que a própria líder do Partido Republicano reputou a vitória de Biden como legítima.

Se o Partido banirá ou será sorvido pelo grupo antidemocrático, ela não soube prever. Seu livro O Crepúsculo da Democracia: como o autoritarismo seduz e as amizades são desfeitas em nome da política, promete estudar o porquê de pessoas bem educadas e aquinhoadas se deixam levar por ideais antidemocráticos. Um fenômeno que não é exclusivo dos EUA.

Uma combinação de que os políticos nacionais são mais fracos que os de fora com um saudosismo calcado na impressão de que em tempos idos a vida era melhor pode ajudar a entender a coisa toda. Mais ainda com as modernas ferramentas de propaganda que diuturnamente confundem as pessoas, impedindo-as de separar fatos de mitos. Uma falsa bandeira em um bombardeiro em ação, uma promessa vã de fazer o país grande novamente, iludem muitos incautos que terminam por votar em Trump e assemelhados, como os que venceram no Brasil e na Polônia, ou fazem da desordem institucional o seu grito de guerra para disputar o poder e, em seguida, abolir a democracia.

A jornalista concluiu que a melhor forma de barrar a extrema-direita é apresentar uma agenda de melhora na vida das pessoas, mais do que reclamar delas ou travar meramente um combate ideológico com esses setores fascistas.

Ela trouxe o exemplo do seu país: Biden pouco fala de Trump, mas prepara cheques mensais de USD 1400 (cerca de sete salários mínimos no Brasil, ou um ano de auxílio emergencial pleno) para ajudar as famílias a reconstruir suas vidas no pós recessão que afundou o país.

NOTA: Anne Applebaum apresentou certa dificuldade em entender como funciona a democracia nos países socialistas, mas o fato não obnubla seu compromisso com o bom funcionamento democrático dos Estados nacionais de Direito.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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