Holocausto, Nazismo e Negacionismo – parte II

Na primeira parte desta matéria o centro da exposição de Ricardo Plaza e Haroldo Hirata recaiu sobre o nazismo e o holocausto em si. Em complemento, as palestras de Renata Plaza e Ângelo Nannini trataram da negação dos fenômenos por certa casta neonazista.

O antropólogo mogiano baseou-se na trilogia de Richard Evans sobre o Terceiro Reich, cuja pesquisa sucedeu ao processo que um certo David Irving moveu contra Deborah Lipstadt, reclamando da renomada acadêmica a determinação histórica da existência do holocausto nazista.

Não obstante a Justiça ter demandado à ré – e não ao acusador – provar o que disse, Deborah e a verdade venceram. Vítimas e seus descendentes, vizinhos dos sequestrados e dos campos de extermínio e principalmente os criminosos afirmaram que aconteceu o holocausto.

Deborah Lipstadt (palestra em inglês)

Ângelo demonstrou que só há uma verdade histórica, reconhecida por documentos legítimos, cujo conteúdo é verificável por fontes externas. O resto são opiniões, que não alteram os fatos ocorridos. Lembrou que o Ministro nazista da Propaganda, Goebbels, recentemente imitado por um integrante do governo brasileiro, colocava a eficiência da sua “arte” em convencer as pessoas sem que elas se dessem conta disso. Assim, os judeus eram “secretamente” caracterizados como os bolcheviques responsáveis pelas mazelas alemãs.

Registre-se que a Alemanha dos anos 1920 era um país científica e culturalmente avançado. No entanto, o morticínio foi elevado à escala industrial, como relatam dois sobreviventes em Nasci Duas Vezes.

Por que certos sujeitos insistem em dizer que nada disso aconteceu, da mesma forma que outros garantem que a Terra é plana? Quem explica é a psicanalista Renata Plaza, também professora do IFSP.

A boa técnica terapêutica, respeitosa e promotora do ser humano, ajuda o paciente a recordar o passado para não repetir certos comportamentos que lhe fizeram mal. Mas há gente arrogante para quem os fatos não importam, trabalham com uma autoverdade que sabem ser mentira. Não se trata de ignorância, mas de crueldade arrogante para com o próximo: negar a história faz a vítima ser retraumatizada.

Freud também explica: “uma imagem reprimida pode abrir consciência pelo ‘não'”*, como uma espécie de defesa. Para saber a verdade, bastaria tirar o “não” da frase.

Os organizadores referenciaram a obra Maus, do quadrinista Art Spiegelman, com avaliações em vídeo de o Quadro em Branco e em artigo de Horácio Sendacz.

*não há pretensão de exatidão científica ou histórica na citação, trata-se apenas de uma ilustração à conclusão do autor, baseada na palestra da professora Renata Plaza.

Reproduzido na Hora do Povo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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