Língua-mãe

Quem saboreou o significado de o frigir dos ovos, certamente vai apreciar este novo conto transcrito das redes sociais, sem autoria identificada. Uma nova homenagem ao português falado no Brasil. Com “s”.

Tudo bem, “bowl” é uma palavra arredondada, quase esférica. Mas, podendo dizer a saborosa e recipiente “cumbuca”, a sonora e amigável “pote”, a misteriosa e cálida “vasilha”, a familial materna “tigela”, ou a sensual “cuia”, qual você vai preferir? E, cá pra nós, “tapué” é muito mais legal que “tupperware”!

Sinceridade: quem vai sair por aí dizendo “top” (top?) se pode gastar “belezura”, “maravilindo”, “joínha”, “do balacobaco” ou mesmo um “supimpa”, em todos os lugares? Só se estiver “bad”. Mas aí, troca por “borocoxô” ou “macambúzio”, que a pessoa já sai na hora do “beleléu”, das “cucuias”, da “broxidão” direto pro “cafuné”, sem “salamaleques”.

Sem nacionalismos, xenofobia. Mas por que insistir que você teve um “panic attack” se você teve mesmo foi um “piripaque”, um “siricutico”, um “faniquito”, um “piti”? Viu? Até pra sofrer o português é bem melhor.

Aí a pessoa vai e diz que tem “timing”. Não. Claro que não! Ela tem é “borogodó”, “ziriguidum”, “balacobaco”. Aí, sim. Pra que dizer “baby”, se temos “xodó” e “dengo”?; “Crush”, se temos “xaveco”?; “deu match”, se temos o genial “rolou um tchans”?

“Nope” é legalzinho e tals, mas, vanfalá, “Neca de pitibiriba” é muito mais peremptório! E nos palavrões, então? “Fucks” and “sucks”, tudo bem, vá lá, mas você já experimentou gritar “caraiquiusfôda!”, “taquiupa!”, “putaquilospapêtas!” ou mesmo um singelo “carácolis!”.

Quer xingar? Xingue. Não de “bitch!”, mas de “lambisgoia!”, de “sirigaita!”, de “quenga”, de “sacripanta!”. Ah, nem compara. O Guedes não achou ruim quando o chamaram de “canalha”. Mas quando mandaram “tchutchuca” ele subiu pelas paredes. Experimenta!

Quer coisa mais gostosa que dizer “urucubaca”, “estapafúrdio”, “escangalhado”? Use “cangote”, “chamego”, “mamulengo”; vá de “desbunde”, rapapé”, “cupincha”; beba “avoado”, “abilobado”, “desmilinguido”. Descubra as artes do “treco”, do “trem”, do “troço”, você vai ver que delícia que é o “alumbramento” “desenxabido” do “malungo”.

Nossa língua é mais palatável, “palavrável” e, viu?, até pra inventar palavras novas ela é boa. Imagine viver sem “ôxe”, sem “vixe”, sem “uai”, sem “eita”, sem “arriégua”, tendo que falar “oh, boy” o resto da vida? “Mainenfu”. “Assifudê!”.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “Língua-mãe

  1. Bom dia camarada! Só observando (veja se dá tempo de editar) saíram parágrafos repetidos. Só ó “nossa língua é palatável…” consta 4 vezes Bom domingo

    Em dom, 18 de out de 2020 06:25, Iso Sendacz – Brasil escreveu:

    > Iso Sendacz posted: ” Quem saboreou o significado de o frigir dos ovos, > certamente vai apreciar este novo conto transcrito das redes sociais, sem > autoria identificada. Uma nova homenagem ao português falado no Brasil. Com > “s”. Tudo bem, “bowl” é uma palavra arred” >

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