Tirar dinheiro da Cultura é o mesmo que queimar livros

A Cultura sofre uma séria ameaça em nosso País. O obscurantismo, ou seja, a negação do conhecimento e, portanto, da ciência e da cultura, é característica típica do fascismo. O bando fascista que se apoderou do governo não ficou apenas no discurso anticultura. Depois de haver nomeado para os cargos do governo que cuidam da Cultura indivíduos totalmente avessos a ela, senão seus inimigos viscerais, agora está surrupiando as verbas destinadas a essa atividade no governo.

O ministério da Economia decidiu bloquear R$ 36 milhões de cinco órgãos ligados à Cultura: R$ 13,5 milhões foram cortados da Fundação Nacional de Artes (Funarte); a Fundação Biblioteca Nacional teve corte de R$ 11,7 milhões; mais R$ 10,4 milhões de corte do Instituto Brasileiro de Museus; a Fundação Cultural Palmares sofreu corte de R$ 1,2 milhão; e a Fundação Casa de Rui Barbosa, outros R$ 122,8 mil. Isso pode inviabilizar a realização de projetos fundamentais para a atividade cultural do País.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, “servidores da Funarte afirmam que o bloqueio é ainda maior do que o divulgado na planilha, sendo de R$ 14,7 milhões. Segundo eles, esse bloqueio irá comprometer todo o planejamento da instituição e inviabilizar projetos, como a Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúñiga”.

Mas, segundo a revista CartaCapital, a proposta orçamentária enviada ao Congresso para vigorar em 2021 torna ainda mais dramática a situação: “a proposta enviada ao Congresso prevê redução de recursos da ordem de R$ 9 bilhões (de R$ 11,6 bi em 2020 para 2,5 bi em 2021, mais de 80%) no orçamento do Ministério do Turismo, ao qual a Secretaria Especial da Cultura é vinculada”.  Nesse corte, está prevista a redução de 78% na verba da Cultura. Se isso acontecer, diz a matéria da revista: “será o colapso total de museus, fundações, política audiovisual, patrimônio histórico, entre outros setores”.

O presidente da Associação de Servidores do Ministério da Cultura (Asminc), Sérgio de Andrade Pinto, afirmou que “a área da cultura já tem sido muito prejudicada pelo reducionismo da sua estrutura. A evasão de recursos irá piorar esse quadro”. A ameaça de colapso dos órgãos de Cultura do governo compromete seriamente a própria atividade cultural no País. O Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo se soma a todos quantos fazem Cultura em nosso País no repúdio a mais essa truculência. É o mesmo que queimar livros.                                                           

O nazismo e a queima de livros

São Paulo, 7 de setembro de 2020

Diretoria do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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