Força de trabalho no serviço público: custo ou investimento?

Mardônio Sarmento

Com base em falácias e sofismas, odiosas mentiras sobre o serviço público têm sido divulgadas pelos que se intitulam salvadores do país. A propósito, é importante diferenciar custo, de investimento, no que concerne à mobilização e manutenção da força de trabalho por parte de qualquer organização, no caso o estado brasileiro.

É sabido que organizações prestadoras de serviços tem, geralmente, em sua força de trabalho, um fator de produção vital para seu sucesso. Salvo quando automação e cibernética minimizam em termos quantitativos esse contingente, a aplicação de recursos financeiros nesse fator é a de maior vulto. Mesmo nesses casos, a aplicação de recursos é da maior importância, dado o valor que pessoas altamente qualificadas e raras alcança no mercado de trabalho. Salários altos, condições diferenciadas de trabalho, benefícios extras, são muito usados para atrair e reter o chamado Capital Humano dessas organizações. Não são privilégios, significam a justa contrapartida pela entrega de competências nobres ao empreendimento.

No serviço público acontece exatamente da mesma forma. O percentual representado pelo dispêndio com a força de trabalho, que também podemos chamar de Capital Humano do Estado, é naturalmente expressivo, constituindo-se assim em seu maior compromisso financeiro no bojo da destinação dos recursos disponíveis. Afinal, o que é um Estado senão uma fantástica organização de prestação de serviços? Serviços ao público. Nada mais natural que invista para manter seu Capital Humano bem dimensionado e motivado e garantir sua missão de prestar serviços públicos de qualidade aos cidadãos, seus clientes, e em última hipótese, os acionistas do Estado.

Como tratar os recursos financeiros alocados em orçamento à manutenção dessa força de trabalho como mero custo a ser minimizado, cortado e aviltado? Não é custo, é investimento! E dos mais nobres! É essencial! A força de trabalho é o maior aliado do sucesso organizacional. Se bem tratada, respeitada e desenvolvida, claro. Se um dia o servidor puder ser substituído por robôs, como será tratado o dispêndio para mantê-los à disposição do estado? Como custo, ou como investimento em máquinas, equipamentos e tecnologia?  Robôs ainda não são empáticos. Só humanos de qualidade podem prestar serviços ao público. Não se deve tratar o ser humano com menor importância do que tratamos máquinas!

Organizações de porte que prestam serviços, recrutam, selecionam e procuram manter o que encontram de melhor no mercado em termos de força de trabalho para com isso garantir seu sucesso. Nossos governantes, ao contrário, não poupam esforços em demonizar, desqualificar e consequentemente desmotivar a força de trabalho do estado brasileiro. Em lugar de se aplicarem em gerir bem a coisa pública, cuidam de amesquinhar o aparato do estado. Se há problema de produtividade, qualidade, acomodação, isso não acontece com a maioria dos servidores. A convivência com a pandemia do COVID19 o tem demonstrado. O problema do serviço público é muito mais de gestão do que de formação da força de trabalho. Patrimonialismo, desvio de finalidade, leniência, corrupção. E os gestores, principalmente de nível estratégico, que deveriam orientar a gestão do estado, em grande número não são servidores públicos concursados. São membros de grupos políticos que a cada eleição aparelham e procuram dominar as estruturas do serviço público, nem sempre para servir ao público em geral, mas para servir aos interesses patrimoniais ou ideológicos que de fato representam. Dessa parcela, os políticos não abrem mão. Não aceitam conviver com um estado operado por servidores públicos profissionais, com autoestima elevada, que se sintam seguros em sua função pública para policiar as tentativas de desmandos de orientação ideológica ou corrupta (as vezes as duas coisas). Daí cunham os chavões descabidos e mal intencionados de privilegiados, parasitas, inimigos, preguiçosos, e outros tantos, para encurralar os servidores, amesquinhá-los e mobilizar a opinião pública contra eles a fim de poder destroçar o capital humano do estado e assim dominá-lo para usar a seu serviço e não do público.

Dispêndio com Capital Humano é investimento e não custo a ser minimizado, nem desperdício de recursos!

Mardônio Sarmento foi Chefe do Departamento de Gestão de Pessoas do Banco Central do Brasil e é consultor e Diretor de Relacionamento com Filiado do Sinal, em Brasília

Com informações do Sinal DF Informa e ilustração do Correio Braziliense.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Um comentário em “Força de trabalho no serviço público: custo ou investimento?

  1. O teto significa que uma reserva é preciso deixar e no caso brasileiro era pra pagar a dívida que não se referiam a uma dívida qualquer, mas a divida rentista, de credor estrangeiro. A dívida social, a legal ou a emergente
    mas, a desordem atual admite estimar a valor proposto de custeio da redoma do Estado. Degel ,

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