Sanguessugas

Enquanto a operação Greenfield encontra-se em marcha lenta, em razão do foro privilegiado de um dos investigados, o Ministro da Economia Paulo Guedes reclama à imprensa de possível mobilização dos servidores públicos por reajuste salarial.

O gráfico ao lado é ilustrativo das perdas salariais dos servidores especializados da União. Quando se fala em médicos, professores e carreiras de apoio, a situação é ainda pior, pois sequer receberam as duas parcelas mais recentes de insuficiente reposição inflacionária.

É algo como trabalhar dois meses por ano sem qualquer salário.

Alguns têm dito que os responsáveis pelas políticas fiscal e monetária, a segurança pública e de nossas fronteiras, a Justiça e o Parlamento, ganham demasiado e, ainda por cima, têm estabilidade. Pois são exatamente salários adequados e proteção contra a demissão imotivada que lhes permitem exercer sua função de Estado no interesse da sociedade. Do contrário, a pressão política poderia desviar suas ações por caminhos malquistos.

Por que então se quer reduzir os salários dos servidores e o próprio quantitativo de cargos no serviço público?

O desmonte do Estado só fará diminuir a fiscalização sobre o particular que atende ao grande público e a oferta de serviços que por direito constitucional todo cidadão pode usar.

Se a montanha de dinheiro público hoje separada para a renda financeira fosse mais bem distribuída entre salários e insumos, a sociedade seria mais bem servida e rumaria a um equilíbrio provedor de paz social.

Leia também: O Privilégio de Ser Servidor Público.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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