Alexander Hamilton

Contam que as centenárias notas de dólares dos EUA retratam presidentes mortos. Ainda que todos os personagens façam parte da história do país, nem todos foram presidentes. Além do icônico Benjamin Franklin, encontramos entre os “pais fundadores” Alexander Hamilton, na nota de dez.

Hamilton ocupou posições de destaque nos governos do país, notabilizando-se por estabelecer os primados econômicos que norteiam o desenvolvimento por lá. Seu texto mais famoso, por mais impactante na realização cotidiana do “sonho americano”, foi o Relatório sobre a Manufatura.

O didático resumo da Fatec de Ourinhos, sobre o Nacionalismo Econômico de Hamilton, prioriza a proteção da indústria infante por um Estado forte como forma de aquisição das novas competências necessárias ao barateamento dos produtos no mercado interno e alcance de posição vencedora no desigual comércio internacional.

Assim os EUA atingiram a condição de país mais rico do mundo, assim os chineses parecem aproveitar as lições para supera-lo.

Reserva de mercado

No Brasil, no entanto, muitos preferem o liberalismo econômico como forma de se conectar aos avanços tecnológicos do mundo, ainda que sob o caro preço da crescente miséria da nossa gente.

Uma das críticas é que a famosa reserva de mercado em informática adotada pelo país nos primórdios dessa indústria teria levado a um grande atraso no nosso desenvolvimento tecnológico.

Estive nos EUA em 1997, hospedado na casa de um amigo de infância que havia se estabelecido por lá. Contava ele que, no primeiro mês, pegou a conta de luz e foi ao banco efetuar o pagamento da despesa quando, como que ofendido, o caixa do estabelecimento lhe perguntou: “por acaso isto parece uma companhia elétrica? Aqui é um banco!”

Em um tempo em que podíamos depositar dinheiro no Rio Grande do Sul em uma conta do Rio Grande do Norte e o titular, no instante seguinte, podia sacá-lo no Mato Grosso, havemos de convir que entregar um cheque à Eletropaulo seria então um atraso de vida.

Nos anos em que acompanhei mais de perto, servidor que fui do Banco Central do Brasil, o sistema de pagamentos brasileiros sempre foi modelar no mundo, mais seguro não só do ponto de vista técnico, mas também da segurança financeira das operações e da liquidez do sistema.

O quanto isso é fruto da aplicação das lições de Hamilton no Brasil, é difícil aquilatar.

Concluo relembrando uma anotação de memória, vinda do engenheiro Fernando Domingues: os coreanos são bons em fazer chipes, mas a inteligência, a aplicação, vinha do Brasil.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central, do Instituto Cultural Israelita Brasileiro e membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. De São Paulo, mora em Santos.

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