
Escrever dava trabalho há dois séculos. A toda hora, era preciso molhar a pena no tinteiro ou mudar de lápis. Muitas vezes nem os taquígrafos, que se gabavam de registrar sinais no papel com a mesma velocidade da fala, conseguiam decifrar suas anotações. Não por acaso criar uma máquina de escrever era sonho de vários inventores no século 19. Oficialmente, os pioneiros foram americanos. Mas, anos antes de a Remington lançar no mercado seu primeiro modelo, um padre paraibano já tinha descoberto como mecanizar a escrita.
A, B, C, D, E, F, I, L, l, O, P, R, r, s, T, (til). A máquina criada pelo religioso tinha 16 teclas, que, combinadas, davam origem aos demais sinais gráficos. Um pedal servia para mudar de linha. Parecida com um piano, ela causou admiração desde a primeira vez em que foi exposta, em novembro de 1861, no Recife.
Chamada de máquina taquigráfica, foi instalada na primeira das cinco salas da Exposição dos Produtos Naturais, Agrícolas e Industriais das Províncias de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, assim como outros cerca de mil objetos, enviados por aproximadamente 200 expositores.
O evento foi de 16 a 22 de novembro. Três dias depois, Azevedo embarcou com seu invento na corveta a vapor Paraense rumo ao Rio de Janeiro. Seu plano era participar da I Exposição Nacional. Chegou em 8 de dezembro, seis dias após a abertura da mostra na Escola Central, no bairro da Glória, e recebeu elogios da imprensa local.
“A invenção é, a nosso ver, extremamente engenhosa”, registrou um repórter do Jornal do Commercio em 16 de fevereiro de 1862. “Mas, como facilmente se depreende, só a prática é que poderá demonstrar a sua eficácia para o fim a que o autor quis atingir, isto é, maior rapidez do que aquela que se tem conseguido alcançar pelos sistemas conhecidos de taquigrafia que os nossos práticos empregam no apanhamento dos debates dos corpos legislativos, dos tribunais judiciários etc.”
Em 14 de março de 1862, dos 1.136 participantes da exposição, que exibiram 9.962 objetos, só nove tiveram a honra de receber uma medalha das mãos do imperador d. Pedro II. Azevedo foi um deles. E ganhou logo uma de ouro.
A história completa trazida pelo Instituto Humanitas Unisinos, a partir da reportagem de Luciana Garbin, publicada por O Estado de S.Paulo, 11-09-2016, pode ser conhecida em https://ihu.unisinos.br/categorias/185-noticias-2016/559978-o-brasileiro-que-inventou-a-maquina-de-escrever.

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Um comentário em “O padre brasileiro que inventou a máquina de escrever”