
Antonio Prado, no Jornal GGN
Transformar rejeitos em produtos de valor agregado retém talentos e combate a estagnação econômica em municípios menores
O interior brasileiro é rico em biomassa, resíduos agrícolas, subprodutos da agroindústria e, em muitos casos, rejeitos minerais. Esses materiais, em geral tratados como passivos ambientais ou externalidades inevitáveis, podem constituir a base de uma nova economia produtiva. Pequenas unidades de processamento, biorrefinarias de escala adequada, agroindústrias leves e arranjos de microindustrialização distribuída podem transformar esses resíduos em fertilizantes, bioinsumos, energia, materiais e produtos intermediários.
Essa agenda não exige, em sua origem, grandes saltos tecnológicos. Exige, sobretudo, coordenação, infraestrutura mínima e política pública orientada. Institutos federais, universidades, sistemas de extensão rural e centros tecnológicos regionais poderiam atuar como núcleos de difusão de tecnologias adaptadas à escala local. Bancos públicos poderiam oferecer crédito orientado para investimentos produtivos de pequena e média escala. Municípios e estados poderiam organizar distritos produtivos simplificados, com logística básica, energia e regulação adequada.
Mais do que criar novas atividades, trata-se de agregar valor onde ele hoje se perde. Parte significativa da renda gerada no interior ainda é capturada fora dele, seja por cadeias produtivas concentradas, seja pela ausência de processamento local. Reindustrializar pequenas cidades é, portanto, também uma estratégia de retenção de renda e dinamização territorial.
[segue]
