
Dia 25 de Fevereiro foi dada a largada para o que Marcelo Abreu, da AGE, qualificou de “Mutirão pela Soberania”: são doze temas em debate, com diversas atividades presenciais, remotas e híbridas espalhadas pelo território nacional, culminado com a Conferência da Soberania no mês de junho, em que a sociedade sintetizará os caminhos para o Brasil debatidos nas diversas sessões.
O primeiro tema foi a Soberania Digital, do qual destacamos duas das mesas do dia.
No Clube de Engenharia, Rio de Janeiro, RJ, Márcio Girão recebeu Henrique Luduvice e Marcos Dantas, para tratar da Proteção em relação às Mídias Digitais. O anfitrião lembrou que “sem engenharia não há desenvolvimento, sem desenvolvimento não há engenharia nem soberania”.
O professor Marcos Dantas palestrou sobre a urgente reconquista da soberania digital brasileira. Se outrora os dados fluiam pelas redes públicas da Embratel, hoje circulam extra-fronteira e são mais difíceis de serem conhecidos. São hoje fonte primordial de acumulação financeira e de poder político, com cinco big techs dominando o mercado mundial. Com sede nos EUA, obtém boa parte de suas receitas no exterior, mas os lucros e os impostos ficam no país das matrizes.

Dantas concluiu posicionando-se contra o modelo de incentivo à instalação de data-centers estrangeiros no Brasil, lembrando que a engenharia brasileira pode desenvolver soluções para as necessidades do país. Há uma reafirmação do pacto colonial, com uso da água e energia, como antes foi com o açucar e o ferro.
Ele lembrou do caso da TV digital, sabotada pelas transnacionais em favor de seus próprios sistemas de difusão.
O ex-presidente do Confea Henrique Luduvice introduziu o tema do dia lembrando que não basta uma boa formação em engenharia, mas são necessárias carreiras atraentes para que os jovens possam contribuir com o desenvolvimento soberano do Brasil. Ele destacou a importância da soberania digital em razão de as redes sociais interferirem no comportamento das pessoas no Brasil e no mundo, muitas vezes solapando a democracia.
É preciso que o Brasil se orgulhe do seu povo, com indicadores de desenvolvimento e colaboração soberana, com mais engenharia e carreiras, inclusive de Estado, afirmou. Contribui para resgatar o prestígio internacional alcançado pelos nossos antepassados a regulação das mídias digitais, para que não afetem a nossa democracia e nossa soberania.
Nos comentários, o engenheiro lembrou que não somos produtores, mas montadores de carros e aviões da Embraer em circulação nos EUA não ostentam o “made in Brazil“.
Em São Paulo o debate versou sobre Mídias Digitais e Democracia: o Combate às Fake News e à Desinformação Estrutural, mediado por Fred Ghedini, da Rede Democracia. Ele lembrou a importância da inteligência coletiva na construção de um projeto de soberania.
Entre as iniciativas colocadas estão a formação de um pool de canais e atuação coordenada nas redes sociais, que são redes de seres humanos.
Everton Rodrigues, da Software Livre, lembrou que o projeto de lei já aprovado em uma das Casas parlamentares prejudica os data centers soberanos, inclusive prestadores de serviços sociais, pois isentará de impostos, se promulgado, somente empresas estrangeiras. Ele defende a criação de uma Rede Orgânica Social, com código aberto e gestão pelos próprios usuários.
Os presentes e os conectados à sala apresentaram suas considerações, que foram desde os aspectos ecológicos até as formas de combate às fake news. É preciso formar uma ampla e esclarecedora rede de informações e é importante para a soberania brasileira reeleger Lula e melhorar a composição do Congresso Nacional. Também foram apresentadas propostas de combate à compra de votos e recuperação da identidade nacional nas redes.


