Fascistização do imperialismo é sinal de decadência

Alex Pretti, agredido antes de ser assassinado pelo ICE. Foto: Reuters

Carlos Pereira, na Hora do Povo

A fascistização do governo dos EUA é característica da atual radicalização da luta de classes da conjuntura internacional. O principal sintoma é a decadência econômica do imperialismo norte-americano com o fim da sua hegemonia econômica, estabelecida desde o pós-guerra.

A primeira consequência é a falência do colonialismo contemporâneo, isto é, do neoliberalismo, pontificado pelo consenso de Washington, que promove a transferência da periferia para o centro imperialista, via sistema financeiro da mais-valia extra de centenas trilhões de dólares, além do assalto às riquezas naturais (especialmente das terras raras) pela via da troca desigual.

A outra consequência é a desmoralização internacional do dólar como moeda sem lastro.

O resultado dessa panela de pressão sobre o imperialismo é um mundo bipolar ou multipolar, como querem alguns, sendo já o polo principal o seu contrário, o novo, o socialista, o anti-imperialista, o democrático e popular, vanguardeado pela China e Rússia.

O fato é que essa pressão abre uma fissura, na cúpula do imperialismo, entre a Europa e os EUA, cuja profundidade dependerá dessa radicalização e de uma política regida pelo princípio da Frente Ampla, por onde deverá emergir a cooperação entre as nações e um poderoso movimento pela autodeterminação dos povos.

O Brasil é a bola da vez. Uma vitória aqui, nas eleições gerais que ocorrerão este ano, como tem todas as condições de acontecer (aqui também o bolsonarismo está dividido), significará um golpe de monta no fascismo norte-americano. O Brasil é a maior economia da América Latina, do mal denominado quintal (ou retaguarda) dos EUA.

A cada trapalhada ou asneira do Trump e do bolsonarismo que o apoia, tem resultado em avanços qualitativos na consciência da soberania nacional, portanto, na possibilidade de consolidação de uma amplíssima frente nacional que abarque o proletariado, os trabalhadores rurais, a pequena burguesia democrática e a burguesia industrial.

Assim foi no tarifaço de 50%. Retomamos a iniciativa e o verde e amarelo que havia sido sequestrado pela extrema-direita. Ou o escárnio bolsonarista que abriu um bandeirão do opressor imperialista em plena Avenida Paulista, ou, ainda, o que foi pior, a afronta a todo povo com a tentativa de golpe. Estará, inevitavelmente, na ordem do dia a questão da soberania nacional.

A verdade cristalina, que vem à tona com a força da realidade, é que não existe soberania sem estado forte, sem investimento público em infraestrutura, sem prioridade nas compras do estado às empresas nacionais. Que não existirá nação soberana, ou mesmo nação, sem a reindustrialização, que a indústria tem que se sustentar num poderoso mercado interno. Ou seja, a discussão de um programa nacional de desenvolvimento, como consequência dialética do sentimento popular pela soberania nacional.

Aí está o x do problema. Comparado com o governo Bolsonaro, agora na cadeia, Lula foi melhor. Só que, até por seu carisma, o povo tem uma expectativa muito maior. Não só em melhorias pontuais em seu 4º mandato, mas por um novo Brasil.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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