Que é o Instituto Superior de Estudos Brasileiros?

A cientista social e professora de pós-graduação da Unesp, em Marília, Andrea Lovatto conta, na Revista Princípios nº 162, dedicada ao tema, a história do ISEB (1955 a 1964) e seu papel na formulação do que era o Brasil de então e o que poderia ter sido, se o processo revolucionário de independência nacional tivesse avançado mais, a despeito da reação imperialista que culminou no rompimento constitucional de 1964.

Considerado a Casa do Pensamento Nacional-desenvolvimentista, o ISEB teve, no primeiro período, farta produção de textos sobre a emancipação nacional sob égide da burguesia nacional, avançando no início da década de 1960, já sem subsídio estatal, ao espalhamento da consciência popular sobre os potenciais brasileiros com seus Cadernos do Povo Brasileiro, bem à época da formulação das Reformas de Base.

Sua principal coleção do “último Iseb” é intitulada Cadernos do Povo Brasileiro, com 25 volumes ilustrativos dos problemas que o Brasil precisava então superar, acompanhados de três edições de Violões de Rua: Poemas para a Liberdade, cujo conteúdo foi organizado pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Esta é a mensagem de contracapa:

Centenas de milhares destes cadernos circulam hoje nos quatro cantos do país. São lidos, comentados, debatidos por todos aqueles que, insatisfeitos com a triste realidade da vida nacional, querem informar-se sobre nossos graves problemas.

Por todos os brasileiros que desejam participar conscientemente do movimento cada vez mais pujante e positivo que objetiva promover transforma-ções radicais na anacrônica e injusta estrutura socioeconômica em que nos encontramos.

Por todos aqueles, em suma, que acima de suas posições ideológicas ou partidárias, lutam pela emancipação do Brasil contra o imperialismo interna-cional e seus agentes internos.

Agindo com amplitude e profundidade, os Cadernos do Povo Brasileiro são a chama que ilumina, a arma de que o povo dispõe para a conquista de melhores dias.

Lovatto assim introduz as suas conclusões do imprescindível estudo de 2021 sobre a realidade revelada pelo Instituto:

A experiência isebiana de seus intelectuais públicos, em geral, e dos autores e diretores dos Cadernos do Povo Brasileiro, em especial, bem como dos poucos volumes da coleção História Nova do Brasil (que vieram à luz já quase às vésperas do golpe), puderam selar uma grande contribuição às lutas dos trabalhadores no século XX. Seu legado continua atual e merece ser conhecido e, mais que isso, reconhecido.

O título desta nota procura reproduzir em estilo aqueles atribuídos aos Cadernos do Povo Brasileiro. A edição completa da Revista Princípios está em https://revistaprincipios.emnuvens.com.br/principios/issue/view/5

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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