O desenvolvimento das relações contemporâneas de poder global também foi objeto de estudo no seminário de estudos avançados da Escola João Amazonas, da Fundação Maurício Grabois.
O cientista político Luis Fernandes acredita que o período de transição a uma nova configuração do poder global, iniciado com o colapso da URSS e do campo socialista, caminha para um desfecho. A hegemonia imperialista reinante há 35 anos cede passo a novos polos de poder, destacadamente a China socialista e a Rússia, acompanhada por polos regionais que reforçam a multipolaridade em construção e o enfraquecimento relativo e rápido dos Estados Unidos.
Nas áreas militar e monetária, no entanto, ainda persiste a hegemonia estadunidense, que perde passo nas corridas científica, tecnológica e de relacionamento internacional para a China. Como resposta à decadência, Trump rompe com a ordem liberal que até então favorecia sua país, desestruturando as cadeias globais de valor, mas não parece a Fernandes ser suficiente para reverter as contradições produzidas pelo capital financeiro monopolista ianque.
O Doutor Sérgio Cruz também principiou a sua análise com o que se decretou ser “o fim da história”, mas que na verdade era a falência do regime que substituiu a construção socialista na União Soviética a partir de Kruschev, uma contrarrevolução que negava o marxismo-leninismo.
A ofensiva neoliberal iniciada nos anos 1980 combinava a supremacia do capital financeiro com a superexploração do trabalho, afetando também o Brasil. A manutenção do crescimento das taxas de lucro nos EUA dependiam do parasitismo crescente sobre outros países, inclusive garantido pelo uso da força. Mas a contradição desse modelo com o desenvolvimento das forças produtivas cobrou o seu preço.
A estratégia de Trump para confrontar a situação envolve derrotar a China e neutralizar a Rússia, minando os BRICS a partir de seus principais expoentes. No Brasil, as eleições de 2026 ganham importância, pois os EUA pretendem manter o país sob sua influência. A pressão estadunidense, no entanto, abre espaço para um desenvolvimento brasileiro autônomo, concluiu o editor da Hora do Povo.. Para isso, é preciso clareza e compromisso revolucionários, que faltam à burguesia nacional.
Ana Prestes, Secretária de Relações Internacionais do PCdoB, trouxe elementos sobre a América Latina, região alcunhada como “quintal dos EUA”. Militar e culturamente, o país do Norte mantém-se dominante, mas a pragmática China cresce nas relações econômicas com o continente, à exceção do México, com investimentos que superam em centenas de milhões de dólares o conveniado com a Celac em 2015.
O atual presidente dos EUA, pondera a cientista política, age para tentar estancar sua própria decadência, desestabilizando governos, intervindo em eleições e travando a luta ideológica sobre o “perigo comunista” chinês. Nesse quadro, o Brasil pode fazer mais pela integração latinoameriana, mas sempre atento à hiperatividade agressiva de Trump.
Derrotar o fascismo, expressão mais gritante da decadência imperialista, que, nos anos 1930, causou a morte de 60 milhões de pessoas – uma tarefa que o PCdoB tem absorvido condições para liderar, conclamou Sérgio Cruz.
O seminário completo: 1 – Características do capitalismo contemporâneo e o aprofundamento de suas contradições; 2 – Declínio dos EUA e ascenção da China; 3- Os êxitos da China e do Vietnã; e 4 – O papel fundamental do Partido Comunista.

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