Notas sobre o pacote fiscal

O importante editorial do Vermelho sobre a pressão do sistema financeiro para se assenhorar dos recursos públicos do Tesouro Nacional merece, além da atenta leitura, alguns comentários adicionais, no sentido de enfatizar alguns dos seus aspectos mais tenebrosos.

O projeto de cortes sociais significa subtração coletiva de direitos sociais, os chamados salários indiretos. Muitos aplausos recebeu o aumento da isenção do imposto de renda, que pior seria se não houvesse. De concreto, tira-se 72 bilhões dos bolsos dos trabalhadores e devolver-se-ia, depois, em torno de 45 bilhões. Um benefício pago, antecipadamente, pelos próprios trabalhadores. Com bom troco para a Faria Lima.

O outro ponto da abordagem a suplementar diz respeito aos incentivos fiscais. O que incentivar pode ser discutido, a partir do interesse nacional pela reindustrialização. Mas colocar não é exatamente uma vitória a retirada dos subsídios à atividade econômica nacional, vez que só faz distanciar o Brasil do desenvolvimento e aumentar o quinhão para pagamento de juros. Mais ainda diante de uma política monetária que procura enxugar a liquidez do Tesouro por meio do aumento da taxa Selic!

Por fim, em complemento, parece inconveniente lutar pela redução de salários, sejam eles quantificados como super ou não. São o resultado da venda da única mercadoria que o proletário dispõe – sua força de trabalho. A redução das desigualdades deve se dar pela aumento dos salários na base – dobrar os salários e depois dobrar de novo.

Iso Sendacz é engenheiro, escritor e titular deste Brasil e o mundo

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

3 comentários em “Notas sobre o pacote fiscal

  1. São os pobres de direita.

    Mercado SÓ CONHECE O POBRE QUANDO QUER MÃO DE OBRA BARATA. FORA DISSO É O MERCADO JOGANDO CONTRA O MERCADO NO FINAL ELES Dividem O BOLO ENTRE ELES E O POBRE FICA LAMBENDO PAPEL DO BOLO E SE SENTINDO QUE TAMBEM COMEU O BOLO.

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