O Lobisomem da Penha

“Todos os povos têm suas histórias e lendas que vão sendo constituídas a partir dos seus valores, culturas e crenças e, na maioria das vezes, acontecimentos para o qual não se tem uma explicação plausível no momento. Esses contos começam a fazer parte do imaginário popular e, gradativamente, são passados e se tornam lendas de um determinado povoado. A cidade de Santos não foge deste contexto e, portanto, tem suas próprias histórias”, explica o historiador da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), José Dionísio de Almeida.

Se a Loira do Banheiro e o Fantasma do Paquetá já assombraram estas páginas, hoje é a vez do Lobisomem da Penha causar arrepios…

A famosa lenda do Lobisomem também tem uma versão santista. Acredita-se que, em meados dos anos 40, o Morro da Penha tenha abrigado um exemplar que, nas noites de lua cheia, se transformava em um monstro semelhante a um lobo gigante, com pelos escuros, garras e presas, que uivava alto para a lua.

A lenda tem origem baseada na história de uma família que teria morado no bairro. Composta por um casal e sete filhos homens, a casa da família emanava sons estranhos durante as noites de lua cheia, como portas e janelas batendo, panelas caindo, choros, gemidos e o característico uivo do monstro.

Aterrorizados com os barulhos horripilantes, os moradores passaram a se esconder nas próprias casas e trancá-las – o que não era tão comum na época. A rotina de medo seguiu até a família desaparecer subitamente do bairro, momento em que a população ligou os fatos: a lenda do lobisomem diz que o sétimo filho de um casal é amaldiçoado com a transformação e, naquela casa, havia sete irmãos.

“Esta lenda também podemos relacionar com a questão dos medos e receios contidos nas pessoas, além das histórias, lendas e tradições que as pessoas trazem consigo. Isto porque a maioria dos habitantes da Cidade neste período era de migrantes e imigrantes, então provavelmente houve alguma situação relacionada a essa família que assustou várias pessoas e, a partir da forma que foi contada, se transformou em lenda. Como diz o ditado popular: “Quem conta um conto, aumenta um ponto””, acrescentou Almeida.

Esta e outras histórias, como o Vulcão do Macuco, foram contadas pela Prefeitura de Santos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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