Astronomia na educação intercultural

Debate e Consciência, do professor Ricardo Plaza, do IFSP – campus Caraguatatuba, trouxe a maestra argentina Geraldine Chadwick para contar sobre sua pesquisa com a educação intercultural, na especialidade da astronomia.

O céu pode ser observado desde muitos pontos-de-vista e a interpretação da distribuição astronômica mostra-se útil aos grupamentos humanos de diversas formas, pois permite a geolocalização e a percepção temporal, tanto do giro da Terra em torno de si como do planeta em torno do Sol, com aplicações na agricultura, previsão de partos e inclusive explicações religiosas para fenômenos observados na realidade terrena.

Geraldine escolheu para seus estudos e prática a região nortenha do Chaco, vizinha do Paraguai, em que a população originária conversa até hoje na língua nativa, uma das vinte faladas no país, ao lado do castelhano oficial.

O projeto consiste em didática bilíngue para educação científica, considerando a cultura local formada ao longo dos séculos. A experimentação tem papel relevante, inclusive extra-classe, com a observação celeste em acampamentos científicos, integrando ambiente e cultura locais.

Todo diálogo intercultural supõe o reconhecimento do outro, particularmente dos professores e estudantes situados em um contexto cultual, como atores genuinos na situação didática, promovendo a autonomia intelectual na aprendizagem.

Um ponto alto do processo educacional intercultural é o aproveitamento de narrativas dos alunos ou de seus pais e avós, a partir das quais os professores ajudam a construir uma visão científica do cosmos.

Na Argentina, não obstante o negacionismo que ora acomete o país, a educação sempre foi símbolo de ascenso social e a didática intercultural apresentada por Chadwick contribui nesse sentido, para elevar o saber de todos os povos do país.

A física Geraldine Chadwick é doutora em educação pela Universidade de Buenos Aires e integra o Instituto de Investigação em Ciências da Educação.

No mesmo canal, já estivemos debatendo sobre o papel do dinheiro no desenvolvimento capitalista, assim como o filósofo João Fernandes conversou sobre a mente humana.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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