Será que dá samba?

Tem um bom par de anos que escrevi uns versos sobre o time e a escola de samba do Bom Retiro, imaginando se um dia um músico lhe desse melodia. Ficam registrados neste Carnaval.

I

Em berço esplêndido sonhei recentemente

Com um Brasil independente

Senhor de seus recursos naturais

O sonho começou com Tiradentes

A derrama o fez inconfidente

Nas terras das minas gerais

E o velho tornou o Brasil desenvolvido

O trabalhador reconhecido

Aço, petróleo e muito mais

E lá na avenida, batia bem forte

Acordei para a vida, mudei minha sorte

Na terra do leite, do samba e do mel

Eu posso viver num pedaço de céu

Pois que esta terra tem seus guardiões

Aqui é Brasil, aqui é gaviões.

II

A morena sambava na rua tão contente

Em meio a um povo sorridente

Brincando tantos carnavais

Cruzou a rua um gato preto persistente

Foi deixando uma semente

De desgraças federais

E então chegou uma hidra desalmada

Que a tudo devorava

Dos pampas aos seringais

Essa gente aguerrida mudou sua sorte

Curando a ferida, acertava seu norte

No campo, cidade e no fundo do mar

O que aqui se faz aqui há de ficar

Pois que esta terra tem seus guardiões

Aqui é Brasil, aqui é Gaviões.

O segundo poema é apenas uma introdução:

Esta história que tanto me seduz

Tem início no Jardim da Luz

Uma grande alegria me Traz

A caminho da Sergio Tomaz

Na esquina de Zepa e Martins

Imigrantes tupiniquins

Deram berço a um grande timão

Que habita no meu coração

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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