
No primeiro dia de Outubro de 2023 os brasileiros voltam às urnas para escolher os novos conselheiros tutelares, em todas as cidades do país. Priscila Ribeiro Mubangi é uma das atuais titulares, que se apresenta para um novo exercício junto às crianças de adolescentes de Santos, SP e concedeu entrevista ao Brasil e o mundo.
Bm: O que é e qual a importância do Conselho Tutelar da infância e da adolescência?
PRM: A partir do Estatuto da Criança e do Adolescente, que institui o Conselho Tutelar, as pessoas em desenvolvimento, crianças e adolescentes, são consideradas sujeitos de direito e prioridade na proteção e atendimento, e essa proteção e atendimento passa a ser responsabilidade de toda a sociedade, essa representação da sociedade de forma direta, esse zelo pelo cumprimento da lei é feita pelo conselheiro. É vital para o cumprimento e efetivação dos direitos de crianças e adolescentes
Bm: Por que é fundamental cuidar de todos os jovens, independentemente da família e da condição social?
PRM: É importante, se vermos pelo lado humano, porque todo ser humano deve ter direito à vida e ao bem-viver. Mas no sentido prático da sociedade, ela precisa que nós trabalhemos para se manter funcionando e quem serão os trabalhadores do futuro? Nossos filhos e netos, as crianças e adolescentes, que serão os adultos que conduziram e manterão a sociedade amanhã, se eles têm um desenvolvimento saudável e bem estruturado é consequência que tudo ao redor seja também. É do futuro de toda a sociedade que zelamos hoje.
Bm: Pode contar um caso de sucesso na transformação da vida de alguém que você atendeu?
PRM: São muitos atendimentos e muitas histórias que o olhar no atendimento e a rede que se forma para tal faz a diferença, sim. Em um trabalho em rede longo, de muitas tentativas, para que um pai solo, com extrema vulnerabilidade física, financeira e emocional conseguisse manter cuidados básicos com uma criança sua filha de apenas 7 anos, apesar de todos os esforços da saúde e assistência, esse senhor não conseguia ao menos leva-la à escola, sem alternativas de família extensa, a possibilidade era o acolhimento, quando ao não desistir de encontrar alguma possibilidade em uma nova tentativa atendendo a família, foi citado uma madrinha que ainda, apesar do tempo que estávamos atendendo, não tinha sido citada por ninguém, essa senhora é prática vizinha do pai e se dispôs a cuidar e ser responsável legal por ela, já tinha referência nos atendimentos do território e isso mudou a vida dessa criança, que continua indo visitar sempre que deseja, o pai que é seu vizinho, e tendo um cotidiano saudável, indo a escola e a outras atividade, além ter seus cuidados em saúde garantidos. Foi um caso de persistência, onde não desistimos de achar uma solução que não causasse mais sofrimento a essa família, que já tem a pobreza extrema como grandes complicador de vida.

Priscila Ribeiro, 40, é assistente social pela Unifesp de Santos e oriunda da Zona Noroeste, onde atua como Conselheira Tutelar desde 2020. Desde jovem foi ativista estudantil e militante cultural e antirracista.

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