Como assim, Bernardi, matar os judeus?

Simão Zygband, em Construir a Resistência

“Se há uma excrescência humana, ela se manifesta através do racismo.”

Imagem de Maus, obra de Art Spiegel

O que aconteceu

Comentarista da Jovem Pan News, José Carlos Bernardi sugeriu que a morte de judeus poderia fomentar a retomada econômica do Brasil. Nesta terça-feira (16), o jornalista manifestou o discurso antissemita ao vivo durante o Jornal da Manhã.

“É só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá. Se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico deles, o Brasil enriquece. Foi o que aconteceu com a Alemanha pós-guerra”, opinou Bernardi.

O posicionamento viralizou nas redes sociais e foi criticado por toda comunidade judaica. Michel Gherman, professor de sociologia da UFRJ e diretor do Instituto Brasil-Israel, repudiou a fala de Bernardi.

“Essa fala do ‘comentarista cristão’ José Carlos Bernardi resume muito o negacionismo histórico que tomou esse pais de assalto em 2018. Além da ignorância completa dos processos do pós-guerra, típica de um analfabeto em História, o sujeito incorpora referencias do antissemitismo”, afirmou o pesquisador em seu Twitter.

A opinião do jornalista, que comungo

por trás de sua aparência límpida, de bom moço, de gestos educados, não sabia que se escondia um nazista. Senti asco, como filho de um sobrevivente do Holocausto que sou, de suas  palavras tão traiçoeiras. Inadmissível. Causou-me ânsia de vômito.

Como assim, Bernardi, matar os judeus? Ficou louco? O que você bebeu antes de entrar no ar? Não adianta se desculpar agora. Você acha que se vai aceitar pedido de desculpas por uma fala tão grave?

Bernardi, que é admirador e defensor de Bolsonaro, se espelha em seu “ídolo” para atacar os diferentes. Deveria sair algemado dos estúdios da Jovem Pan, onde proferiu tamanho absurdo. Racismo é crime inafiançável, segundo o Código Penal.

O Holocausto foi um ato sem paralelo na história humana e representa o capítulo mais trágico da história do nosso povo, que culminou no extermínio cruel de 6 milhões de judeus indefesos, dentre os quais 1.5 milhões de crianças judias.

A preservação dessa memória é fundamental para que horrores como aqueles não se repitam e é uma das prioridades das comunidades judaicas em todo o mundo. (+284 palavras, Construindo a Resistência)

Simão Zygband é jornalista com passagem pelas TVs, jornais, rádios e assessorias de imprensa parlamentar e de administrações públicas. Foi coordenador de Comunicação no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Em fevereiro de 2020, lançou o livro “Queimadas da Amazônia – uma aventura na selva”. É conselheiro eleito do Plano Municipal do Livro, Literatura, Leitura e Bibliotecas de São Paulo (PMLLLB)

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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