A miséria intelectual dos críticos do novo-desenvolvimentismo

O debate teórico a que se propõe Oreiro, ante posições críticas ao novo-desenvolvimentismo, procura esclarecer efeitos de curto e longo prazo do nível de taxas de câmbio sobre a produção nacional. Esperar que espontaneamente os investimentos vão surgir para suprir o crescimento de demanda, ocupando a capacidade ociosa da indústria que se apequena, não parece sugestão boa. O que Oreiro sugere ao Brasil é controlar o câmbio a longo prazo, permitindo expansão da oferta industrial. Seus opositores propõem simplesmente subir os juros, para conter a queda da taxa de lucros, inerente ao capitalismo, acelerada nestes tempos de crise sanitária e econômica.

Leia mais sobre economia e finanças.

José Luis Oreiro

Uma crítica recorrente ao novo-desenvolvimentismo é que a insistência que a escola (que não se resume aos artigos do ilustre Professor Bresser-Pereira, seu “pai fundador”) na importância numa taxa de câmbio competitiva, estável e sustentável no longo-prazo, se basearia na existência de um suposto regime de demanda do tipo profit-led, ou seja, numa relação inversa (direta) entre a participação dos salários (lucros) na renda e o grau de utilização da capacidade produtiva. Isso porque, continua o argumento, apenas nesse caso uma desvalorização da taxa de câmbio real – inevitavelmente associada a uma redução da taxa de salário real e, portanto, a uma redução das participação dos lucros na renda – seria capaz de produzir um aumento da demanda agregada e do grau de utilização da capacidade produtiva. Um nível mais elevado de utilização da capacidade produtiva, por seu turno, levaria a um aumento da taxa de acumulação de capital devido…

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Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

5 comentários em “A miséria intelectual dos críticos do novo-desenvolvimentismo

  1. BOM DIA COMANDANTE …..

    Assim como a AGRICULTURA …. a indústria também já sofre uma profundíssima modificação em sua estrutura …… estamos dentro da 4ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ……

    Diferentemente do princípio do SÉCULO PASSADO …… hoje há algo chamado ….. CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO de TECNOLOGIA !!!!! Aí é que estão as grandes evoluções, alavancadas por milhões de empresas e startups pelo mundo !!!!!!

    Veja que as maiores e mais pujantes empresas estão exatamente neste segmento ! São estratégicas em todos os sentidos.

    Desta forma, concordamos totalmente com seu conceito de MISÉRIA INTELECTUAL ……. ela anda solta.

    PAULO MARCOS

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  2. O socialismo teórico vive o melhor dos mundos, justamente o mundo idealista onde reconhece a injustiça da sociedade e escolhe aleatoriamente o culpado, o de sempre, o sistema capitalista, e com algumas aberrações como produto de qualquer riqueza vir do roubo, simplesmente, e genericamente, sem discriminar o trabalho intelectual ou físico para amealhar a riqueza, desprezando aqueles preguiçosos que não passam as madrugadas estudando entre as dez horas diárias de trabalho, como eu fiz, meu filho fez, dormindo duas horas por noite para conseguir a riqueza roubadas dos preguiçosos que culpam os outros pela sua indigência mas aí vem o outro lado, onde o poço sem fundo do Estado está aí para sustentar os vagabundos, os doentes, ou os desvalidos e aleijados que não querem e não podem ter o seu sustento, culpam as escolas que as obrigam a receber toda sorte de vagabundos violentos que atrapalham os nerds e cdf, ao contrário, a escola devia ser o palácio e o resort dos gênios e não depósito de delinquentes e isso poderia ser simples de resolver expulsando da escola essa escória de malditos.

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    1. Embora, como apresentamos ontem, no Brasil o desenvolvimento se faz e fará nos marcos do capitalismo, desde que rompida a sua essência dependente, este modo de relações de produção tem seus limites, cuja superação exigirá mudanças tais quais a que o levou a substituir as relações feudais de outrora. Há quem parasite a vida alheia, seja de forma individual ou coletiva, sugando o Estado. Mas não é o caso dos doentes, cuja força de trabalho é debilitada por razões fora da vontade do acometido. Quanto a “expulsar da escola”, nem sempre é bom caminho, um certo tenente o foi e acabou presidente da República.

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  3. Eu também fui estudante de engenharia e sou analista de sistemas há 44 anos, sociólogo e cientista político e professor, dito isto para dizer que não acredito filosoficamente em progresso científico como apanágio da vida e felicidade de todos os povos de todas as pessoas, eu nem sei até que ponto ter um iphone 14 é garantia ou pré requesito para uma sociedade ser considerada superior. Os antropólogos desde a fundação da Antropologia nunca estabeleceram uma escala de status de sociedades e entre elas, todas as culturas se equivalem seja uma tribo de Nambiquaras da Amazônia ou do Mato Grosso. Eu tenho um trunfo de ouro porque não pode ser contestado, tive que esperar quase meio século para confirmar que o meu prognóstico estava além do tempo.
    Fui procurado nos primórdios da Informática quando ainda não existia tele informática nos anos oitenta, por Pedagogos de alto escalão para saberem da necessidade de informatizar as escolas para que o Brasil não ficasse defasado dos países desenvolvidos. Eu lhes respondi que a informática não é melhor que a lousa, ou os livros, ou o mimeógrafo, ou um telefone ou a televisão, é uma ferramenta como um alicate ou um martelo que em mãos de especialistas podem ajudar, em mãos erradas é como um martelo nas mãos de um louco.
    Tive que esperar e assistir ao governo gastar bilhões em programas de computadores, tabletes, celulares, tv via satélite e nada disso transforma um imbecil ou um delinquente em estudante nerd. Felicidade não depende de um iphone ou de um Toyota Corolla da garagem.

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