Cresce monopolização na área de saúde privada

Hora do Povo

Na crise, compre, dizia o Barão de Rotschild. Preços de monopólio nunca são socialmente convenientes, menos ainda quando se trata da defesa da vida e do restabelecimento da saúde.

Lucrando com a pandemia, as empresas privadas do setor de saúde já movimentaram entre janeiro e o começo de julho deste ano R$ 6,3 bilhões em fusões e aquisições. A compra da operação de planos de saúde e hospitais se tornou grande atrativo para companhias de capital aberto e estrangeiras.

De acordo com dados da consultoria Deloitte e TTR (Transactional Track Record), foram 104 transações de compra e venda negociadas até julho deste ano. Os maiores aportes vieram de aquisições de hospitais e operadoras verticalizadas (com rede própria de atendimento) de planos de saúde.

Já no ano passado, os negócios de empresas listadas na bolsa de valores somaram mais de R$ 8 bilhões.

Até cinco anos atrás, era proibida a participação de capital estrangeiro em hospitais do país – mas com a abertura para investimentos estrangeiros, o assunto virou um grande negócio que se consolida com as benesses dos planos de saúde e com a crise sanitária.

Em 2015, foi publicada a Lei nº 13.097/15, que alterou o art. 23, da Lei nº 8.080/90, permitindo que empresas estrangeiras participem, inclusive como controladoras, dos empreendimentos de assistência à saúde. Isso inclui, não só os hospitais e centros de assistência à saúde privados, mas também aqueles que são filantrópicos e que se mantém com dinheiro público.

Na opinião de Osías Brito, sócio da BR Finance, os hospitais filantrópicos serão os próximos alvos. “São hospitais com boa reputação”, disse para reportagem do Valor Econômico.

Além dos grandes lucros para empresas de capital privado e estrangeiro, as novas regras em jogo também favorecem a concentração de controladores.

Do total negociado até a metade deste ano em fusões e aquisições, R$ 4,2 bilhões vieram de três grupos de saúde que estrearam na bolsa de valores recentemente – Rede D’Or, Dasa e Mater Dei. A Rede D’Or, por exemplo, se capitalizou em 2015 e vendeu mais de 40% da sua participação para fundos americanos – um deles, o Carlyle, também presente em universidades privadas do país.

A BR Finance fez um levantamento considerando que há 278 hospitais no país que podem interessar os “grupos investidores”. São hospitais localizados em cidades com mais de 200 mil habitantes e com mais de 50 leitos. Para ser rentável, o hospital precisa ter pelo menos 150 leitos.

CONCENTRAÇÃO

Segundo a reportagem do Valor Econômico, a NotreDame Intermédica pagou R$ 1 bilhão pelo Centro Clínico Gaúcho, operadora de Porto Alegre com uma ampla rede própria. A Rede D’Or desembolsou R$ 382 milhões para ficar com 51% do hospital mineiro Biocor e entrar na praça do Mater Dei.

Por outro lado, a mineira Mater Dei adquiriu o Hospital Porto Dias, no Pará, numa transação de R$ 1,3 bilhão (R$ 800 em dinheiro e o resto em ações). A Dasa comprou o Hospital da Bahia e a rede de clínicas oncológicas Amo por R$ 850 milhões e R$ 750 milhões, respectivamente.

A Hapvida, de Fortaleza, aumentou sua presença no interior paulista, ao adquirir a operadora HB por R$ 450 milhões para integra-la à São Francisco, que atua na região de Ribeirão Preto.

O Hermes Pardini fez sua maior aquisição adquirindo o laboratório Paulo Azevedo, do Pará, por R$ 127 milhões. O Fleury comprou a clínica de olhos Dr. Moacyr Cunha e os fundos de private equiy do Pátria e da XP estão investindo em plataformas de clínicas de oftalmologia.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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