O capetão que veio para dizimar a cultura

Maestro Marcos Vinicius de Andrade

IGNORÂNCIA ACIMA DE TUDO, BARBÁRIE ACIMA DE TODOS

É sabido que, entre 2015 e 2020, o mercado cultural do Brasil e de quase todo o mundo passou por fortes turbulências, devidas principalmente ao avanço predatório da globalização, aos desníveis sócio-econômicos regionais e, principalmente, à irrupção das novas tecnologias digitais que alteraram profundamente as formas de produção cultural em todo o planeta.

A partir de 2016, mesmo anunciada como estando à beira do desastre, a Indústria Criativa do Brasil encontrou meios de sobreviver, para tanto passando a priorizar os novos modelos de negócios do mundo digital, especialmente na área das produções musicais e audiovisuais, onde historicamente ela sempre foi mais forte.

Eleito com um perfil de autoritarismo, arrogância, despreparo, despotismo não-esclarecido e ligações com milícias e outros segmentos pouco recomendáveis, o Cap. Bolsonaro (promovido por praxe, após reforma compulsória do Exército), já em sua campanha à Presidência exibia o anti-intelectualismo e a intolerância à cultura que depois justificaria como “compromissos eleitorais.”

Em 2019, instalando-se no Planalto com a sutileza de um elefante em loja de louças, o Presidente levou consigo a mais notável trupe de nulidades jamais vista em qualquer desgoverno, especialmente na área da cultura. Já os primeiros atos das anônimas incompetências governamentais continham alto poder de culturofobia.

Talvez seja exatamente isso o que o Capetão Bolsonaro deseja: em dois anos de poder, incapaz de apresentar políticas públicas para a cultura brasileira, seu “governo” prefere deixá-la ao sabor do mercado, da vulgaridade consumista promovida pelas corporações do entretenimento, às quais o Planalto se associa e a quem serve no projeto de mediocrização nacional. Quando inviabiliza economicamente o cinema, a música, o teatro, o livro, as escolas e museus, o Capetão fere o corpo da cultura nacional. Mas quando agride artistas, intelectuais, professores, jornalistas, juristas, cientistas e profissionais do saber e do talento, ele ataca sua alma. O Capetão faz tudo isso enquanto louva a pandemia, sem perceber que ele próprio é um vírus também. (+2153 palavras, Hora do Povo)

Contra o coronavírus, vacina, vacina e mais vacina!

Contra a barbárie do Bozovírus, cultura, cultura e mais cultura.

Salve-se, Brasil!

Nota: trata-se de um extrato da matéria produzida por Marcos Vinícius para o Observatório da Democracia e reproduzida na Hora do Povo. A íntegra merece ser lida não só pela beleza literária do estilo único do Maestro, mas também porque quantifica todas as suas observações sobre a tentativa de apagamento da identidade nacional pelo “coronaro-bozovírus”, para emprestar uma das várias alcunhas oferecidas por Andrade.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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