Edson Arantes, o Pelé

Corintiano de nascença que sou, muito sofri com as diatribes do mineiro que se fez santista e completou 80 anos na última sexta-feira. Lembro ainda hoje o quanto foi difícil romper o tabu enquanto Pelé esteve em campo. E, nas transmissões televisivas desde o México, ver ao vivo a conquista do tri em 1970.

Fã do futebol há uns anos mais que eu, o botafoguense Carlos Lopes tem razão quanto ao aplauso da torcida adversária ao rei do futebol. É dele a história contada sobre aquele que enfeita a nova entrada de Santos.

“Uma vez, em Caucaia, lá no Ceará, bebendo cerveja com um ex-goleiro do Palmeiras, ouvi a história de um pênalti, em uma partida contra o Santos:

O Pelé ia bater. Fiz uma confusão na área. Comecei a berrar: ‘não adianta, crioulo, que agora você vai se lascar’. Eu sabia que ele nunca tinha perdido um pênalti. Todo mundo sabia disso no Brasil. No mundo. Quem não sabia disso? Mas eu era o goleiro, tinha que fazer o que podia. Tentei deixar ele nervoso.

Ele nem se abalou. Apenas sorriu e eu reparei na luz. Vocês nunca viram isso. Tem uma luz que vem do Pelé. É uma luz, alguma coisa que não existe nas outras pessoas, ele está sempre com essa luz, ele não é iluminado, ele ilumina, é diferente, ele enche de luz o ambiente.

Ele sorriu, enquanto eu berrava e fazia a maior palhaçada. Eu não achava que ia dar certo, mas era o que eu podia fazer.

Ainda sorrindo ele correu para a bola, não foi ‘paradinha’. Parou de sorrir quando chegou perto e chutou. Eu nem vi para onde foi a bola. Só quando ela já estava dentro, na rede.”

O ex-goleiro continuou insistindo na luz que vinha de Pelé – e não era difícil entender como aquela autoconfiança inabalável parecia, a ele, uma luz, provavelmente divina.

O leitor mais jovem conheceu algum jogador que fosse aplaudido pela torcida adversária, depois de golear esse time adversário? (leia a homenagem completa na Hora do Povo; mais 1675 palavras).

De Paulo Rui ouvi a seguinte história: seu irmão, líbero do Guarani, afirmou que no jogo contra o Santos iria “parar o negão”; foi a última partida que jogou como profissional, em razão da lesão adquirida no enfrentamento.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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