Família mal-agradecida?

Lauro Jardim apôs nota em O Globo sobre circulação monetária:

Uma família de São Paulo acaba de enviar ao exterior a módica quantia de R$ 50 bilhões (são bilhões mesmo). Tudo legal e regular. Tanto que apenas de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) pagou R$ 2 bilhões (sim, são bilhões mesmo).

Deixemos ao contencioso judicial a discussão da legalidade da operação e tributo devido aos cofres públicos. Concentremo-nos na acumulação financeira que possibilitou o movimento noticiado.

Antes, porém, convém quantificar o que seja R$ 50 bilhões no Brasil de hoje: uma cadeia de lojas maior que a rede gaúcha Renner, cinco construtoras como a Cyrella ou mesmo uma operadora nacional de planos de saúde. É a terça parte de um banco do porte do Itau!

Juntar essa dinheirama não é produto do trabalho de uma só pessoa, mesmo que a sua jornada semanal fosse superior a 48 horas, o máximo permitido pela legislação brasileira. Nem mesmo de uma família inteira. Vejamos.

Imaginemos o titular da conta casado e com quatro filhos adultos, também casados. Dez pessoas em idade de trabalhar. Se cada um ganhasse o teto do serviço público – o subsídio presidencial – e poupasse a metade da sua renda, até à aposentadoria reuniriam nada módicos R$ 80 milhões. Para completar a fortuna precisariam de nada menos que 64 mil empregados trabalhando por uma vida e gerando, cada um deles, um lucro semelhante ao salário médio pago no Brasil.

A usina José Bonifácio de Andrada e Silva, em Cubatão, emprega hoje 1600 trabalhadores metalúrgicos. A massa de empregos que cinquenta bilhões seria capaz de gerar equivaleria a quarenta dessas plantas industriais. Em outras palavras, uma cidade com 100-120 habitantes teria pleno emprego com dinheiro ora escoado para fora do país.

Em suma, dezenas de milhares de pessoas contribuiram para a formação do patrimônio familiar, mas a fuga do capital deixaria uma cidade inteira às escuras, sem trabalho e sem renda.

É justo?

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “Família mal-agradecida?

  1. COMANDANTE,

    Gostei !!!!

    Que FAMÍLIA é essa que mandou R$ 50 bilhões para o exterior ???????

    Sds,

    Paulo Marcos F. Cossa

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