Façanha do amigo de Bolsonaro é o retrato de seu governo

O Chefe de Redação da Hora do Povo, dr. Carlos Lopes, combinou o domínio da psiquiatria com a avaliação do que há de mais baixo na história da República. Lembrando da famosa expressão popular “encher o rabo de dinheiro”, Lopes mostra a generalidade do escatológico comportamento nas rachadinhas, depósitos para a primeira-dama e chocolaterias.
Já que o senador dos cofres absconsos e da “quase união estável” declarou que a corrupção ” […] tem contaminado pelo mau exemplo levas e mais levas de políticos, servidores públicos e empresários que não têm o mínimo pudor e vergonha de causar tantos danos ao nosso povo”, é mais que recomendável a leitura do artigo na íntegra:

É compreensível o recato de certos órgãos de imprensa – e certas figuras públicas – na referência ao senador Chico Rodrigues como aquele que “escondeu dinheiro na cueca”.

O caso, evidentemente, foi bem além – ou bem abaixo – da cueca.

Na verdade, o caso é tão escatológico, tão despudorado, que torna-se difícil encontrar um modo educado – possível de ser mencionado, digamos, em uma família mais ou menos normal – para descrever os recônditos do senador onde o dinheiro foi encontrado.

É tudo, concordamos, muito nojento. A tal ponto que alguém lembrou do suplício que deve ter sido para os agentes e o delegado da Polícia Federal, lidar com a situação dentro da casa do senador.

Daí, os noticiários revelarem uma pudicícia que parecia, até há pouco, tão fora de moda quanto a palavra pudicícia.

Entretanto, esse mais fundo enterramento do dinheiro público e da moral política governista, revela muito sobre o que é o bolsonarismo. Trata-se de algo mais tosco, mais sem decência e mais sem limites que todas as ondas de corruptos anteriores.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem razão ao dizer que o desvio de dinheiro destinado ao combate da epidemia de COVID-19 é algo que, em matéria de tipologia criminal, vai além da corrupção, aproximando-se do assassinato.

Porém, no caso do “amigo de 20 anos” de Bolsonaro, existe ainda um elemento extra: a sofreguidão por dinheiro que não respeita, nem ao menos, certas inibições que são comuns à maioria das pessoas.

As ligações freudianas entre dinheiro e fezes, ou “fase anal” e sovinice ou ganância, ultrapassaram o plano psicológico e se tornaram reais, no sentido material da palavra.

Existe algo mais primitivo e mais truculento do que isso?

(continua – mais 646 palavras)

Carlos Lopes

Post Scriptum: para não dizer que absconso é ábdito, definamo-lo como escondido ou ocultado…

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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