Fiel à vida e ao Brasil

O orgulho de ver a espontânea manifestação da fiel torcida, que fez desaparecer o agressivo grupo favorável a mais mortes pelo vírus trouxe consigo uma dúvida: e o isolamento social que esses valentes brasileiros romperam?

Com a palavra, Miguel Manso*:

“Seria ideal que os membros da fiel torcida Gaviões tivessem ido de máscara e desfilando como na Coreia Popular, em colunas e com o distanciamento de 2 metros, mas o fato é que as hordas bolsonaristas tem provocado de todas as formas, tentando passar a ideia que quem está em casa é covarde, tem medo do vírus, tem medo de morrer… e que eles não, que são corajosos, que não temem a morte, e quem está provocando a morte é quem está covardemente em casa com medo do vírus e está contribuindo para que os outros percam o emprego…

Nesse quadro, a reação da fiel torcida corintiana foi de ir de peito aberto, fileira cerrada, ombro a ombro, pra deixar claro pra essa elite reacionária, essa classe média cretina e a parcela do povo que segue esses desqualificados por fanatismo ou por outra razão qualquer, que o povo não tem medo de enfrentar as hordas fascistas, que se eles querem desafiar a santa ira do povo, vão enfrentar a coragem da nossa juventude, negra, pobre, da periferia, da zona leste e oeste, de peito aberto.

No combate, seria bom que todos pudessem usar os melhores equipamentos de proteção individual e os mais letais para o inimigo, nem sempre isso é possível. Nos combates na Coreia e na China, o uso da principal arma do povo era a quantidade de soldados dispostos a derrotar o inimigo, muitas vezes somente os soldados das primeiras linhas iam com armas e munição, as linhas que vinham atrás iam sem armas, com a orientação de pegar as armas dos seus irmãos que tivessem caído em combate e seguir disparando e marchando contra a besta inimiga. Essa vantagem estratégica dos ataques massivos de soldados em sua maioria desarmados, descalços ou sem botas apropriadas, sem equipamentos ou munição aterrorizavam os soldados americanos, muitos deles combatendo em país estranho por disciplina, mas sem concordar com aquela guerra…

Então a vantagem dessa estratégia nesse tipo de combate era dupla:

  1. o ataque massivo e de surpresa impunha a derrota material ao inimigo.
  2. a vitória moral era ainda mais expressiva, afinal coreanos e chineses combatiam para defender a sua Pátria contra os que queriam submetê-la a outra potencia estrangeira.

Lutar é difícil, lutar com regras de conduta também, no excelente filme “O caminho de Berlim” fica clara essa contradição da necessidade de ter fuzilamento aos que se acovardam para manter a moral dos que estão defendendo a Pátria.

O bom do que ocorreu [na Av. Paulista] foi deixar claro aos galinhas verdes que não subestimem a coragem do povo e sua unidade, não provoquem a Ira Santa do povo. Se eles tem carrões, caminhões, tanques e o escambau nós temos milhões dispostos a lutar pelas suas família, pelo seus direitos, pela democracia e pela soberania da Nação.

Seria melhor que o povo estivesse unido para resistir aos canalhas servidores do ódio e da morte, mas sempre haverão heróis e traidores.”

*Miguel Manso é palmeirense, Engenheiro pela EESC-USP e membro do Comitê Central do PCdoB. Reproduzido em The Dark Side of the Moon.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “Fiel à vida e ao Brasil

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