Acabou a brincadeira!

O início do período momesco não coincide com qualquer recesso na luta antifascista, exatamente porque as forças milicianas distribuem, além de tiros contra as autoridades eleitas, suas linhas obscuras sobre o episódio em Sobral, em que uma ação envolvendo mascarados armados e um Senador da República que representa o Estado do Ceará a nível nacional terminou com este hospitalizado com ferimentos a bala.

Assim, reproduzimos a seguir o artigo de Charles Alcântara, potiguar que preside a Fenafisco, federação dos fiscais de renda dos Estados.

O endosso maldisfarçado à tentativa de homicídio contra o senador Cid Gomes e ao motim de policiais no Ceará não são atos irrefletidos ou irresponsáveis do clã Bolsonaro. São um movimento calculado para avançar num projeto cada vez mais evidente: o de instaurar um governo autocrático.

Acontece que esse projeto não se viabiliza sem o engajamento efetivo das forças armadas e do seu braço auxiliar e mais numeroso e capilarizado: as polícias militares.

Bolsonaro, seus filhos e militares do núcleo duro do governo já colocaram em marcha esse projeto.

Os sinais estão aí, todos os dias e noites, evidentes, gritantes.

Primeiro, a adesão do braço armado; ato contínuo, um soldado e um cabo bastam para submeter o Congresso e o Supremo. Depois, a caça (sem aspas) aos opositores, sindicalistas e críticos.

Não será possível fazer o serviço completo de desmontar o serviço público e o Estado Social de Direitos, sem dinamitar os pilares que restam do regime democrático e sem, portanto, implementar um estado policial/miliciano.

Até mesmo do ponto de vista da sobrevivência e da liberdade do clã, em face do aumento da percepção na sociedade de seu envolvimento com milicianos, é necessário criar o caos, para que se justifique a instauração da ordem.

A entrada em cena da versão bolsonariana das SA (as “tropas de assalto”) que espalhou o pânico nas ruas de Sobral-CE na manhã da última quarta-feira, 19, antes portanto dos tiros desferidos contra Cid Gomes, serve bem ao propósito de criar o caos justificador do endurecimento do regime.

A alegria e a liberdade que tomam as ruas do país durante o carnaval podem estar com os dias contados. Pode ser o nosso último carnaval com liberdade de expressão, ao menos por um período.

A quarta-feira de cinzas pode não ser apenas o fim de uma quadra momesca, mas o fim do ciclo histórico inaugurado com a Carta de 1988.

O mês de março, penso, será decisivo para os rumos do nosso país.

Ou saímos às ruas, ou seremos trancafiados em casa ou em celas – quando não, enterrados em covas – por um longo período.

  • Ah, mas quanto exagero! – certamente alguns haverão de dizer.
  • Ah, o Bolsonaro é um um cara sincero, brincalhão e bem intencionado – muitos disseram, antes e ainda hoje.

Pois digo a esse magnífico povo brasileiro, tão espirituoso e brincalhão:

  • acabou a brincadeira!

*Aos cinéfilos, duas sugestões de obras-primas: O fascismo de todos os dias e Tigre Branco.

A todos, bom carnaval!

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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