Rockefeller e os remédios petroquímicos

Chegou-nos à leitura o interessante história contada por Clailson Kalev sobre a substituição da medicina natural pela medicamentosa. Como a reprodução do Bunker da Cultura não reflete plenamente o português falado no Brasil, permitimo-nos adaptar a íntegra aqui.

O texto fala da monopolização da saúde pela família Rockefeller, donos do petróleo, da petroquímica e, como não poderia deixar de ser, de um dos maiores bancos do mundo.

De acordo com Kalev, John D., o patriarca, instruiu seus cientistas a descobrir como sintetizar, a partir do petróleo, os princípios ativos encontrados nas plantas medicinais, largamente utilizadas pelos médicos estadunidenses até o século 19.

Aproveitando-se do bom nome de Carnegie, que criou uma fundação quando J.P.Morgan tomou-lhe a produção de aço, fez Flexner percorrer o país para produzir um assustador relatório sobre a ineficácia das práticas holísticas.

E, combinando suas patentes dos agentes artificiais, substitutos dos naturais, com o projeto de “modernização” da medicina de Flexner, tomou conta do mercado curativo, levando ao fechamento de mais da metade dos cursos de medicina do país e à padronização curricular do ensino médico, vigente em grande medida até os dias de hoje.

Com o tempo, passou a investir mais no alívio dos sintomas e menos nas causas, de forma a não perder o mercado das doenças. Efeito que até hoje se sente na carne.

Outro artifício para aumentar as vendas foi o de disseminar doenças cujo tratamento estivesse ao seu controle. Um dos processos a que responde a Fundação Rockefeller referia-se à contaminação em massa dos guatemaltecos por sífilis.

A história é exemplar nesta fase última do capitalismo, em que os monopólios predominam. Para seguir vivo, é preciso pagar uma taxa ao dono dos frascos e comprimidos.

Post Scriptum: nossa homenagem a Santos Dumont, contemporâneo de Rockefeller que fez questão de não patentear o avião, para que nele toda a humanidade pudesse voar.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

3 comentários em “Rockefeller e os remédios petroquímicos

  1. Dois doutos amigos, ambos médicos experientes, alertaram-me do risco de os leitores interpretarem este artigo como uma critica à ciência e aos avanços da medicina e dos cuidados com a vida. Nossa observação intendia atingir a apropriação privada monopolística do conhecimento, deve ser socializado a partir da capacidade de cada um produzi-lo. Até porque Rockefeller não era cientista nem médico, apenas um oportunista que concentrou enorme riqueza coletivamente produzida em sua própria conta bancária. Mais precisamente, em seu próprio banco. Em uma próxima oportunidade, vamos aprofundar essa questão.

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  2. Em seu artigo de 2016, Kalev exemplificava a falta de “cura industrial” para doenças como o câncer, não obstante o fato de Rockefeller ter sido fundador da Sociedade Americana do Câncer. Assim, a notícia de vacina para o câncer de pulmão é, além de muito importante (a vacina) para a Humanidade, uma mostra de que é mais saudável tratar as causas que os sintomas.

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