Desregulamentação do sistema financeiro no EUA traz preocupações para a poupança popular

Quando em 2008 o Presidente do Brasil ousou chamar de “marolinha” o impacto no país da severa crise hipotecária dos EUA, a capitalização mínima dos bancos definida nos acordos de Basileia era de 8% dos negócios totais – e no conservador Brasil, 11%.

Era um acordo prudencial do qual os EUA não participavam e, por exemplo, o tristemente famoso Banco dos Irmãos Lemman não tinha sequer 1,5% de capital em relação à sua profícua atividade especulativa. Na quebra, não só os controladores perderam dinheiro, mas também pequenos acionistas sem direito a voto e mesmo os simples depositantes também viram suas economias virar pó.

O assunto torna à baila pela análise de Simon Johnson, Nobel da Economia de 2024, que critica a pretensa desregulamentação do sistema bancário estadunidense, que após a débacle de dezessete anos atrás, vinha agora operando com exigência mínima de 5% de capital próprio (6% para os grandes bancos de atuação multinacional).

As preocupações de Johnson, descritas no artigo abaixo e de potencial impacto em um país dependente como o Brasil, somam-se à de outros analistas que avaliam a situação como de “calmaria que precede a tempestade” no país do Norte.

Não é demais lembrar que somente o Estado é ferramenta para a sociedade conter a voracidade por lucros do sistema financeiro, protegendo minimamente a poupança popular.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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