Ruchla Sieradski (Korpel)

MInha avó Pola Rajnztajn sempre se referia à irmã que viveu na Alemanha no interguerras mundiais como Rosa, militante do Partido Comunista, que de alguns ganhou a carinhosa alcunha de Luxemburgo, em referência à sua xará mais famosa.

Já havíamos contado a história de Sônia Sendacz, sua filha caçula, mas pouco mais do que isso sabíamos da trajetória iniciada em Strikew, Polônia, e encerrada, como suspeitávamos, nos campos de extermínio de Auschwitz.

Contato recente da Stumbling Stones (stolpersteine, em alemão) com o neto de Ruchla trouxe mais elementos sobre a vida de Ruchla. A organização criada pelo artista Gunter Demnig lembra as vítimas do Nacional Socialismo, instalando placas de bronze comemorativas na calçada em frente ao último endereço escolhido por elas; conta hoje com 60 mil placas e 1,2 mil localidades europeias.

Ruchla Laja nasceu em 1896, filha do casal Yosef, um professor, e Hagar Korpel, segunda de seis irmãos. Jorinusen e Gabriel migraram para a Palestina, enquanto que os mais novos, Fischel e Pola, vieram para o Brasil. O destino de sua irmã Bina ainda não é sabido.

Em 1920, Ruchla estava estabelecida em Magdeburg, Alemanha, com seu marido, o comerciante Moritz Sieradzki, e teve sua primeira filha, Hilda, falecida poucos dias após o nascimento. Quando Senta (Sonia) nasceu, em 1924, Moritz já havia emigrado para os EUA, e a filha nunca encontrou com seu pai.

Morando em uma casa de três cômodos, Ruchla estabeleceu-se no comércio de produtos texteis. O ascenso do nazismo lhe foi, no entanto, bastante pesado. Em 1935 sua filha foi banida da Escola Edith por suas origens judaicas e, dois anos mais tarde, teve que vender sua casa em troca de sua vida. Tendo, nesse ano, sido declarado morto seu marido Moritz, retornou seu sobrenome a Korpel.

Em meados de 1939 foi declarada apátrida e presa pela primeira vez pela polícia de Magdeburgo. Quando libertada, enviou sua filha no trem das crianças para a Inglaterra, o que permitiu à jovem Sonia servir na RAF e chegar ao Brasil com sua filha Beverly, deposando então o viúvo Isaac Sendacz, pai de Gerson e Nelson, e com ele tendo o caçula Moshe.

Ruchla ainda foi presa mais duas vezes, sendo deportada para o campo de extermínio de Auschwitz em 1942, onde completou sua vida.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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