A situação internacional

Maria Pimentel       

         O quadro internacional hoje, aponta para uma ruptura do hegemonismo mundial dos EUA e pelo crescimento do bloco de nações que buscam a proteção de sua soberania, o crescimento econômico e o progresso social compartilhados, a segurança e a paz entre as nações que vem sendo construído com a liderança da China e da Rússia – os BRICS e Nova Rota da Seda são os dois exemplos mais significativos dessa busca por uma outra ordem social e econômica.

A agressividade do imperialismo, que desde o fim da Guerra Fria tenta barrar o surgimento de qualquer força capaz de lhe fazer concorrência ou abalar seu domínio em qualquer parte do mundo, é a maior demonstração da profunda crise e da decadência desse modelo hegemônico baseado no dólar, na financeirização, no poderio militar e nos bloqueios comerciais e econômicos.

No entanto, esse Império decadente, não aceita perder seu domínio se tornando mais perigosos e agressivos. Faz qualquer coisa para manter sua hegemonia e sufocar outras economias com bloqueios, sanções comerciais e tecnológicas. Para consolidar seu poder expandiram a Otan para o Leste Europeu, lançaram contra a antiga Iugoslávia a maior operação militar em solo europeu desde a 2ª Guerra Mundial fragmentando o país. Iniciaram guerras sem fim invadindo o Iraque, a Líbia, o Afeganistão e financiaram a guerra contra a Síria que ainda perdura; concentraram gigantescos arsenais em torno da China e aumentaram enormemente os gastos militares – a previsão dos EUA para 2024 só em armamento e bases militares é de 4 trilhões de dólares, sem falar no estímulo ao ressurgimento da capacidade militar da Alemanha e do Japão. Já incorporaram à Otan a Polonia e as Ex-repúblicas socialistas, Estônia, Letônia e Lituânia (entre 1999 e 2004). Na Ucrânia, provocaram e financiaram o fascismo e os “tumultos” de Maidan (conhecido como Euromaidan), cujo resultado foi o golpe de 2014 que, como se sabe, provocou o assassinato de milhares de integrantes da população russa do Donbasse provocou, em 2022, a guerra entre Rússia e Ucrânia, com procuração da Otan, que em 2 anos e meio sacrificou praticamente uma geração inteira de ucranianos. Na Palestina, tentam naturalizar o genocídio em Gaza para manter o apoio e o financiamento dos crimes de Israel e o extermínio do Povo Palestino. Na África, prosseguem os incontáveis e invisíveis massacres para assaltar suas riquezas e submeter seu povo.

A Quebra do Hegemonismo Aumenta Espaço das Nações

         Embora a profunda crise do imperialismo aumente sua agressividade e não exclua outras guerrasregionais, nem a possibilidade de uma 3ª Guerra Mundial de proporções inimagináveis, ela abre espaço para a afirmação das Nações, para a unidade dos povos pela soberania, contra a fome, a miséria e o assalto de suas riquezas.  Na verdade, o império do mal – EUA/Otan, e seus satélites europeus aliados – está perdendo seu peso econômico e demográfico (somados ao Japão, ao Canadá e à Áustria, chegam no máximo a 15% da população mundial). A cúpula do G7 de junho de 2024 foi chamada pela imprensa europeia e norte-americana de “A Cúpula dos Perdedores”. Os EUA, em profunda crise econômica, estão com sua economia desequilibrada, as contas públicas em desordem, e o dólar americano, arma para impor sanções, deixou de ser a moeda mundial única. A desdolarização hoje é uma realidade utilizada no comércio internacional entre vários países (comercializam com suas próprias moedas por exemplo, Rússia/China, Rússia/Índia, China/Brasil, China/Irã, Rússia/Irã).

         O crescimento da China, sustentado no investindo em infraestrutura, em alta tecnologia, na redução da poluição, no aumento da produtividade para acabar com as desigualdades, não tem por base os baixos salários como ocorre nas grandes potências. Ao contrário, vem investindo em altos salários, no fortalecimento do mercado interno e na geração de emprego de qualidade. Também a política externa chinesa é baseada na cooperação como acontece com a “Nova Rota da Seda” criada em 2013 e, em 10 anos, já investiu 1 trilhão de dólares em infraestrutura e outros programas de empréstimos, financiamentos e intercâmbio político e cultural na Ásia, África e América Latina (a OTAN, em 2 anos, jogou mais de 300 bilhões de dólares na guerra que dizimou, só na Ucrânia, uma geração e devastou inutilmente o país);

         A Rússia, apesar de enfrentar cerca de 21 mil sanções que fracassaram, é hoje a 4ª economia mundial pelo critério de paridade do poder de compra eseu crescimento anual é de 5%. Em 2024 assinou um acordo com a China e a Coreia do Norte de assistência militar visando proteger a soberania, a segurança e a Paz contra agressividade dos países da Otan; o bloco dos BRICS se fortalece (dois anos após a primeira cúpula em 2009, ingressou a África do Sul, depois se consolidaram os BRICS+10 e, este ano, no Fórum de São Petesburgo em junho, 59 países pediram ingresso ao bloco dos BRICS); se consolida o novo mapa de segurança total da Eurásia inteira; se levantam contra o neocolonialismo que assalta suas riquezas e mantém o povo na miséria diversos países da África como Burkina Faso (liderada por Ibrahim Traoré), Mali, Guiné, Gabão, Niger entre outros na região, e ainda se destaca com força, na luta contra o massacre do povo Palestino, o chamado “Eixo da Resistencia”, Gaza e o Hamas, o Irã o Hezbollah e os Hutis no Yemen.

Lucia Maria Pimentel é membro da direção nacional do PCdoB e da executiva nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

O texto acima é parte de um informe por ela apresentado à Central em Setembro de 2024.

Também dela O papel dos sindicatos na emancipação do Brasil.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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