À continuação da primeira mesa sobre a Reindustrialização do Brasil e a estratégia de desenvolvimento sustentável e soberano, a Fundação Maurício Grabois reuniu as lideranças industriárias no segundo dia de dabates, sob coordenação da diretora Rosanita Campos.
Estiveram presentes Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o consultor sindical João Guilherme Vargas Neto, João Carlos Juruna, secretário-geral da Força Sindical, e Ariovaldo de Camargo, diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Abrindo os debates, Camargo lembrou que a indústria tem o condão de transferir demandas para outros setores produtivos, por meio de suas encomentas. Longe ainda do pleno emprego, hoje no patamar de 2014, ele deposita na NIB expectativa com a melhora dos números.
Registrando que a NIB demanda recursos, mais que boas intenções, o dirigente da CUT vê a indústria como capitã da retomada do desenvolvimento, com a sua geração de renda para os trabalhadores. O caminho para avançar é produzir todas as peças para as montadoras, como se tem feito na indústria naval.

Juruna registrou ser antigo o debate desenvolvimentista no Brasil, remonta a Getúlio e seus planos de industrialização acompanhada da melhor formação dos trabalhadores. A conversa com a indústria precisa ir além das negociações coletivas, envolvendo a busca de caminhos para a emancipação do Brasil.
O sindicalista espera mais ousadia do governo, para que as novas tecnologias sejam adotadas em benefício da sociedade, o Brasil amplie seu mercado interno e as exportações dos seus excedentes de produção industrial.

O veterano jornalista resgatou o trabalhado de Roberto Muller, falecido na véspera, “jornalista incansável na luta industrial” e organizador, desde os anos 1950, dos empresários pela industrialização e democracia.
Vargas Neto esclareceu serem duas as tenazes que pendem sobre a indústria, reduzindo o seu papel relativo na economia capitalista: o rentismo e o agronegócio. Apresentou sua receita para o Brasil: apoiar a NIB; trabalhar pela autocrítica prática da indústria sobre o apequenamento do papel do Estado; regular os impostos e seu uso; e fortalecer os sindicatos.

Para um novo projeto nacional de desenvolvimento, com democracia, soberania e valorização do trabalho, a indústria é central, assegurou Adilson Araújo. Uma modernização voltada à prosperidade comum, em busca da posiçaõ de 5ª economia mundial.
O presidente da CTB comparou Brasil e China: enquanto a indústria foi protagonista nos 50 anos da era Vargas, nossa economia era maior que a do país asiático. Quando o neoliberalismo passou a das as cartas por aqui, a submissão ao capital externo cresceu e faltou de alcool gel a respiradores na pandemia, bem como investimentos em infraestutura e pesquisa.
Hoje a indústria na China produz mais que nos EUA, e a taxa de investimentos brasileiros é insuficiente para recuperar o hiato produtivo. Para isso é preciso de uma política industrial a favor do Brasil.
Como concluiu João Guilherme, “chega de falar em custo Brasil, tem que falar em industrialização com respeito ao meio ambiente e absorção de tecnologia, com emprego e qualificação”.



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