
Resgatamos a intervenção da Conferação Brasileira de Mulheres no 14ª Congresso da Federação Democrática Internacional de Mulheres, realizado em 2007 em Caracas, Venezuela. A brasileira Márcia Campos presidiu a FDIM de 2002 a 2016.
A Revolução Francesa e a Revolução Industrial, com a implantação do capitalismo, no século XVIII e XIX, propiciaram as condições objetivas para a mulher dar os primeiros passos na sua libertação ao iniciar sua participação na produção coletiva na grande indústria e romper com as barreiras exclusivas dos domínios privados, onde vivia quase que reclusa, descortinando-se diante de si um horizonte novo, possibilitando-lhe tomar conhecimento da sua força e capacidade.
O avanço do latifúndio expulsa as famílias trabalhadoras do campo empurrando-as para as cidades. A selvagem exploração do capitalismo, com salários aviltantes e as péssimas condições de vida impostas à classe trabalhadora não garantia sequer a sobrevivência e o mínimo para reprodução da força de trabalho, empurrando mulheres e crianças para o trabalho fabril, em condições insalubres, salários ainda mais aviltados e sem nenhuma legislação de proteção ao trabalho feminino e infantil. Essas condições desumanas levaram as greves e a uma luta intensa da classe trabalhadora na segunda metade do século XIX. A participação da mulher na produção e nas lutas fabris e sindicais representou um primeiro passo na mudança da visão e do conceito sobre o papel da mulher na sociedade, abrindo espaço para uma maior identificação e aproximação entre homens e mulheres diante da violenta expropriação capitalista.
Desde os dias da burguesia nascente, o seu interesse de classe, de super lucros, é o de afastar a mulher da produção, tratando a mulher como alguém de segunda categoria, mantendo-a a seu serviço para com seu trabalho doméstico baratear o custo da força de trabalho e responsabilizando-a pela reprodução da força de trabalho pelo menor custo, além de com isso garantir que o trabalhador homem sem ter ninguém para junto com ele dividir os custos de manutenção familiar se sinta fraco e tema ir à luta, pois se for demitido quem garantirá o pão de cada dia? Por isso os proprietários dos meios de produção, os monopólios e seus aliados, resistem pagando para as mulheres salário inferior ao dos homens; resistem a qualificar e profissionalizar a mulher trabalhadora, não cumprem as leis de proteção ao trabalho feminino e à maternidade, não querem que a fábrica ou o Estado através dos impostos recolhidos invistam em creches, pré-escolas, assistência à maternidade e aos filhos, nem que sejam construídas estruturas coletivas de apoio aos serviços domésticos. Exigem que as mulheres permaneçam solteiras, ou abram mão da qualidade divina da mulher, a maternidade, exigem que a mulher abra mão de sua identidade feminina e quando não conseguem evitar, forçam-na a integrar-se na produção como se homem fosse, ou no mínimo assexuada, mas não deixam de usar seu poder de patrões para avançar na intimidação, no assédio, pressionam-na a sentir-se culpada de deixar os filhos e a família para cuidar de seu interesse “individualista” de ter uma profissão, um emprego, educar-se e querer ser uma pessoa independente. Tudo isso somado eleva a um grau desumano a exploração da mão de obra feminina, a sua humilhação, e desvalorização social.
Trabalho, família e filhos são, dessa forma, sentidos como objetivos antagônicos para a mulher no capitalismo. Muitas mulheres sucumbem a tal pressão e passam a incorporar a ideologia da classe dominante e exigir que seja valorizado e até remunerado o trabalho doméstico, como se esse fosse o caminho para sua valorização como ser humano, ou então, ao serem obrigadas a se submeter, consideram que o seu problema central é a falta de solidariedade e o machismo do marido e a falta de reconhecimento deste para os seus direitos e valores, problemas que, é claro, existem e não são poucos, nem pequenos, mas que nublam a consciência da mulher e a colocam em oposição ao seu companheiro, melhor e mais forte aliado na luta pela valorização do trabalho e pelo fim da exploração do homem pelo homem, contribuindo assim para a divisão da classe trabalhadora.
O homem trabalhador por seu lado tem interesse objetivo na integração da mulher na produção, seja para melhorar as condições particulares de sua família, seja pelo interesse coletivo mais geral em reforçar sua luta pelo fim da exploração e sua luta pela socialização da propriedade dos meios de produção. Tomar o poder em suas mãos para retomar o que já foi seu um dia, os instrumentos de trabalho, os meios de produção.
Contra isso atua a classe dominante, que busca neutralizar este interesse do homem trabalhador com sua ideologia e propaganda, iludindo-o, quanto às vantagens da superioridade masculina e de manter a mulher inferiorizada, submetida a serviço dos homens em geral, do despreparo e inferioridade da mulher, tratando de ganhá-lo para ser seu aliado na dominação contra a mulher e para na verdade separá-lo de sua companheira e mantê-la como propriedade do capitalista e sua serviçal mais barata, expropriando-o também do que outrora fora propriedade exclusiva do homem, sua mulher, que, agora como ele, passa a ser propriedade do patrão.
O trabalho doméstico da mulher, que barateia o valor da força de trabalho, é apropriado pelo capitalista e não pelo trabalhador à qual sua companheira ajuda. Tal situação aumenta as condições de exploração e miséria da família, forçando a mulher a buscar o trabalho na produção e possibilitando que, a cada dia, ambos cresçam na sua convicção e clareza de que só a sua união como trabalhadores com os demais trabalhadores pode por um fim a essa exploração.
Mais de dois séculos de capitalismo se passaram, o livre mercado deu origem à concentração do capital e da riqueza, as fusões empresariais e bancárias, à concentração da propriedade privada na mão de alguns poucos bancos e algumas poucas famílias, ao capital financeiro, aos monopólios privados. O capitalismo perdeu toda a sua característica progressista e agora, na sua fase mais degenerada, o imperialismo sufoca cada vez mais o mercado, a produção, a concorrência e o trabalhador, sem, no entanto, conseguir eliminá-los – o que leva inevitavelmente ao acirramento das crises.
Aumenta cada vez mais a exploração sobre os trabalhadores, sobre os agricultores, sobre as pequenas e médias empresas, e até sobre grandes empresas nacionais. Aumenta a exploração dos monopólios das nações ricas sobre as nações em desenvolvimento. Aumenta a campanha contra os estados nacionais, a campanha pelo estado mínimo, a campanha para destruí-los e para liberar seus países para a ocupação econômica, política e militar. Aumentam a luta pelo controle das fontes de energia, água, minérios, terra, e matérias primas. Aumenta a sua agressividade e intolerância com qualquer traço de democracia, exacerba o autoritarismo, o militarismo, o belicismo, a repressão, a supressão de direitos políticos, trabalhistas e humanos, a concentração dos meios de informação e comunicação, a imposição de seus interesses pelo controle social através da mídia, da fraude, do poder econômico nas eleições, pela destruição de seus opositores nas campanhas de difamação e perseguição política, acirra ao extremo o seu caráter fascista.
Aumenta a sua contradição interna e na sua luta intestina para sobreviver às crises que virão, exacerba-se a luta pela concentração da propriedade privada, pela privatização de todas as empresas públicas, tentando diminuir a concorrência pelo desmonte e aquisição dos concorrentes, pelo desemprego em massa, pela introdução de máquinas para substituir o trabalho humano, automatizar, robotizar, desempregar. Se é cada vez maior o desemprego em geral, para a grande burguesia monopolista, é cada vez menor o espaço para a mulher na produção, o melhor para os monopólios seria a mulher ficar em casa, servindo para o barateamento da força de trabalho, sobrevivendo junto com os filhos a um salário de fome e como disse Lênin há 100 anos atrás: “sujeitas à escravidão doméstica, sufocadas pelo trabalho mesquinho, braçal, pesado, embrutecedor, na cozinha e em geral, pelo isolamento da economia doméstica”. A situação da mulher não é a mesma de 200 anos atrás, diriam os capitalistas, mas decorridos 200 anos, as mulheres em sua grande maioria não participam da produção e continuam a ser escravas do trabalho doméstico a serviço dos monopólios e consideradas seres de segunda categoria.
O imperialismo é assim um entrave à liberação das forças produtivas em geral e em particular, um entrave para a participação da mulher na produção. Se a mulher tiver que ir pra produção, que seja com salários mais baixos, pra engrossar o exercito de reserva, competir e diminuir o salário dos homens e jogar uns contra os outros. O imperialismo não tem solução para o principal interesse da mulher, o trabalho, a participação na produção, o que é imprescindível para deixar de ser vista e tratada como cidadã de segunda categoria, e mais, que quando for pra produção seja aceita como mulher, o que significa dizer que os problemas que devem ser resolvidos para que ela vá para a produção – como a procriação, maternidade, planejamento familiar, educação dos filhos, saúde, etc. – são sociais e não principalmente familiares, ou para serem resolvidos pela divisão de tarefas entre o casal.
Tal situação histórica já se encontrava madura e aguda no começo do século passado, o que engendrou a decadência de vários impérios capitalistas e feudais que foram à guerra pela disputa da hegemonia mundial nas crises de 1914, 1929 e 1939, na primeira e segunda guerra mundiais.
A revolução dos trabalhadores russos de 1917 implanta, pela primeira vez, uma economia socialista e consagra a grande revolução nos direitos da mulher.
A situação das mulheres só não é pior por que ocorreu a revolução socialista em 1917 na Rússia que abalou o Mundo.
No bojo das crises de 1905 e 1914, ocorre pela primeira vez na história da humanidade, uma revolução dos trabalhadores que se espraiou mundo afora para diversos outros países, libertando colônias, e garantindo direitos nunca antes atingidos pelos trabalhadores, para os homens e principalmente para as mulheres, o que liberou a luta também nos países imperialistas e que tiveram que fazer concessões, mas apenas concessões, para a participação da mulher na produção.
Com a desagregação do imperialismo no início século XX e a vitória do socialismo, uma imensa energia é liberada fazendo emergir com uma força irrefreável o reconhecimento da igualdade de direitos e a questão da sexualidade, o que vai influenciar sobremaneira as relações humanas e sexuais em todo o mundo.
A tomada do poder pelos trabalhadores na revolução socialista de 1917 na Rússia foi a primeira, a maior e mais profunda revolução que marcou a história dos povos oprimidos e das mulheres do mundo inteiro. A construção do socialismo na URSS, proporcionou à Humanidade, pela primeira vez em sua história, as condições econômicas, políticas, sociais e ideológicas para libertar a mulher do atraso, da exploração e da submissão, ou seja, para sua emancipação e a conquista da igualdade de direitos. E não apenas propiciou as condições como efetivamente retirou a mulher do atraso e a colocou num patamar até hoje inatingido em suas conquistas.
O antigo império Russo era uma economia extremamente atrasada. Em várias de suas colônias prevaleciam relações de produção semi-feudais. A I Guerra Mundial, a guerra civil e a intervenção das potências estrangeiras, deixaram a economia desses países arruinada. Predominava o trabalho feminino em regime de semi-escravidão, nas economias domésticas. A quase totalidade das mulheres eram analfabetas. Das mulheres, com idades entre 9 e 49 anos, 83% não sabiam ler nem escrever.
A revolução dos trabalhadores pelo socialismo garantiu pela primeira vez na história o direito às mulheres (inclusive às analfabetas) a total liberdade de participação política, o direito de votar e ser votada, o direito a participar dos partidos, das reuniões, dos organinsmos dirigentes dos partidos e do estado, do poder, em iguais condições que o homem. A conquista do direito de votar e ser votada, que só foi conseguida mais tarde e parcialmente após muitos anos de luta da mulher nos países capitalistas nasceu com a revolução dos trabalhadores pelo socialismo.
A revolução dos trabalhadores pelo socialismo garantiu pela primeira vez na história o direito às mulheres ao pleno emprego e ao salário igual para trabalho igual.
Com a construção da União das Republicas Socialistas Soviéticas – URSS, (soviet – significa assembléia em russo) os trabalhadores e as trabalhadoras conquistam pela primeira vez plenamente a propriedade sobre as fábricas, os bancos, a terra, os minérios, o seu trabalho, todos os meios de produção são agora de sua propriedade coletiva através do estado e usados para construir a prosperidade de todos.
Após a vitória da revolução dos operários e camponeses, a mulher soviética avançou espetacularmente para ocupar seu legítimo lugar na sociedade. Seu direito ao trabalho foi plenamente garantido. Antes da revolução, cerca de 5/6 das mulheres russas eram analfabetas, em poucos anos o analfabetismo foi erradicado entre as mulheres. O primeiro plano qüinqüenal de incorporação das mulheres no processo produtivo, elaborado em 1930, propunha a integração de 1.600.000 mulheres na indústria. De 1929 a 1936 aumentou em mais de 5 milhões o número de operárias em todos os ramos, superando em muito o próprio plano. Em poucas décadas as mulheres soviéticas equipararam-se aos homens na produção, nas condições do trabalho, e em instrução superior. Até o ano de 1980, 94% das mulheres na URSS, em condições de trabalhar, possuíam emprego, essa proporção era de 22% na Espanha, 30% na Itália, 32% na Inglaterra, 51% na Alemanha capitalista e de 70% na Suécia, a mais alta porcentagem de ocupação feminina no mundo ocidental, enquanto a Alemanha Democrática chegou a 87%.
As mulheres soviéticas chegam a representar praticamente a metade dos trabalhadores soviéticos. Atingem 48% na indústria; 24% nos transportes; 67% nas comunicações; 75% no abastecimento; 85% na saúde, educação física e na seguridade social; 72% na instrução pública e instituições culturais; 47% nos organismos científicos; 53% nos kolkozes (cooperativas agrícolas) e 43% nos sovkoses (fazendas estatais). As mulheres chegam a ser 59% dos técnicos médios e superiores, 33% dos engenheiros, 72% dos médicos e 35% dos advogados.
Em todo esse processo de incorporação da mulher na produção social, várias delas se destacaram nos diversos ramos da ciência e tecnologia. Apareceram mulheres oceanógrafas, aviadoras, geólogas, diplomatas. Valentina Tereshova, astronauta, é a encarnação da vitalidade, inteligência e energia que se liberou nas mulheres com a revolução socialista. A mulher na URSS chegou a ocupar mais de 42% dos cargos de direção de empresas na indústria.
Todos esses enormes progressos que garantiram em termos práticos a participação da mulher soviética na vida econômica, social e política em pé de igualdade com os homens marcaram uma profunda revolução para as mulheres do mundo inteiro.
Quanto aos direitos civis, em pouco mais que uma década, entre 1917 e 1930, foram criados 301 decretos e resoluções em relação à mulher – incluindo a legislação sobre o divórcio, o casamento civil, a igualdade entre o marido e a mulher, a igual remuneração para ambos os sexos, o acesso da mulher a terra, a legalização do aborto, além do Código de família Russo, de 1926, que trazia o reconhecimento dos casamentos de fato e a igualdade de condições entre filhos legítimos e ilegítimos.
Conforme ilustrou A Kollontai, em virtude do decreto do Comissariado do Povo de 18 de dezembro de 1917, o divórcio passou a ser acessível à mulher trabalhadora, dando a ela o direito de separar-se de um marido alcoólatra ou violento, acostumado a espancá-la.
Todas essas medidas de caráter social e econômico, bem como a garantia de direitos civis específicos, voltadas à libertação da mulher, são acompanhadas de uma enorme atenção do estado socialista para com as mães e crianças construindo estruturas coletivas (creches, lavanderias, restaurantes etc…) aliviando as mulheres da penosa carga das tarefas domésticas e liberando uma imensa energia entre as mulheres russas e demais repúblicas.
Com as mulheres fortalecidas pela revolução socialista, e indo à luta, ruiu o castelo dos postulados da moral sexual burguesa.
Os velhos valores ideológicos perdem força para abrir caminho a novas concepções. As pessoas, em especial as mulheres e os jovens se rebelam contra a falsidade, a podridão, a sordidez, a baixeza moral e a hipocrisia do matrimônio sob o regime burguês, com liberdade para que a classe dominante mantenha a mulher sob dominação, escrava e humilhada.
Em 1927 produziu-se no Uzbekistão uma onda de encontros e assembléias onde as mulheres tiravam seus paranyás (véus que cobriam o rosto) e os queimavam. Este fato teve grande repercussão e imenso significado na sociedade, simbolizando uma mudança no desenvolvimento da consciência da mulher na conquista da sua liberdade sexual. Essas manifestações são expressão do desejo das mulheres em superar toda a repressão imposta secularmente.
Na busca por relações mais equilibradas e equânimes, colocando na ordem do dia a discussão sobre os direitos da mulher a uma vida digna, a qual inclua o pleno desenvolvimento da mulher, à liberdade sexual e ao prazer. As questões sexuais e as relações de gênero, herança ideológica do sistema capitalista passam a ser questionadas e discutidas amplamente. No bojo de todas essas transformações surge com irrefreável força o desejo de mudar as relações sexuais e matrimoniais.
A revolução soviética contagiou as mulheres do mundo inteiro. Nos cinco continentes as mulheres passam a lutar por direitos iguais, pelo direito ao voto, mulheres participando das frentes de batalhas, jogando um importante papel no movimento de resistência ao nazi-facismo, nos sindicatos, nos partidos políticos, nas lutas anti-imperialistas, nos movimentos de libertação nacional e na luta pela paz.
Sem a participação ativa das mulheres teria sido impossível a URSS ter chegado ao auge econômico, político e cultural que atingiu.
Incapazes de conviver com tamanhas conquistas, os monopólios imperialistas armam a primeira onda reacionária e fascista, constroem e sustentam a máquina nazi-fascista de Hitler para jogá-la contra o jovem socialismo. Mas essa onda reacionária e fascista não foi capaz de conter o ímpeto revolucionário dos trabalhadores e dos povos oprimidos. Com imensos e heróicos sacrifícios o socialismo triunfou e saiu ainda mais fortalecido com a revolução socialista e de libertação nacional avançando em todos os países do leste europeu, na China, Índia, Coréia, Vietnam, Cuba, Angola, Congo, Moçambique, etc… Em menos de 3 décadas estava em construção o campo socialista, abrangendo quase a metade da população do planeta.
Até a década de 50 o socialismo se desenvolveu a índices impressionantes e jamais alcançados, em toda a esfera da vida social. É justamente nesse período em que se processam os maiores progressos na condição da mulher, juntamente com os avanços das classes trabalhadoras e dos povos oprimidos.
Na primeira metade do século XX, as revoluções que tomaram conta do cenário mundial demonstraram a imensa capacidade e desprendimento do ser humano, homens e mulheres, quando movidos pelo interesse coletivo.
Essa primeira e mais importante experiência do socialismo no mundo, em algumas décadas estaria consolidada, mas o imperialismo, inimigo do povo soviético e das nações que lutam por sua independência, não sossegou enquanto não conseguisse jogar por terra os seus avanços.
Uma inaudita e mais assassina agressão passou a ser tramada pelas forças do império. Diante da enorme demonstração de força da revolução, o imperialismo americano decide construir e mover uma nova máquina de guerra para defender os interesses dos monopólios agonizantes, e pela primeira vez, sem a menor necessidade, usa a bomba atômica, arma de destruição em massa, voltada não contra exércitos e soldados, mas contra a população em geral, homens, mulheres, crianças, velhos, hospitais, escolas, asilos, fábricas, são destruídos em poucos segundos, nuvens radiativas continuam a matança, doenças perversas, mutilações, contaminação da água e do solo continuam a matar até os dias de hoje. Nada justifica tamanha covardia e desumanidade. A chantagem nuclear e a guerra fria, a instalação de ogivas e arsenais nucleares para atingir a Rússia a partir dos países vizinhos dominados pelos americanos, a elaboração de planos de bombardeio massivo das maiores cidades russas foram tramadas e defendidas abertamente contra o jovem socialismo, que não teve outra alternativa a não ser defender-se dessa ameaça construindo seu arsenal nuclear e deixar claro ao imperialismo que teria condição de responder às agressões.
Com a ameaça permanente de guerra nuclear e tentativas constantes de esmagar as conquistas do socialismo, que ganhava a simpatia e adesão cada vez maior dos trabalhadores, mulheres e povos de todos continentes, e sob a névoa da guerra fria, os monopólios aproveitaram para mover a mais odiosa perseguição aos democratas e revolucionários dentro e fora de seu país. Forjaram provas e processos sem provas para caçar democratas e militantes ligados ao ex-presidente Roosevelt, como o conhecido processo contra Alger Hiss e os processos do macartismo. Na América Latina, África e Ásia assassinavam presidentes e líderes revolucionários, conspiravam e patrocinavam golpes e ditaduras, usavam da ocupação militar, da tortura, das fraudes eleitorais. Como o presidente Kennedy desmontara a provocação aramada pelos círculos belicistas americanos que insistiam em, a partir da Turquia e da Alemanha ocidental disparar seu arsenal nuclear para evitar qualquer reação da URSS na famosa crise dos mísseis de outubro de 1962, e Kennedy chegara a um acordo com os russos, para retirar os mísseis da Turquia e a URSS deixaria de colocar seus mísseis em Cuba, os monopólios reacionários americanos não perdoaram seu presidente e o assassinaram, e a seu irmão, o senador, e favorito para as eleições a presidente, Bob Kennedy. Dentro dos EUA mantém seu próprio povo amedrontado e sob vigilância do maior estado policial jamais visto. Perto das várias agências de segurança americanas as SS nazistas são meros aprendizes e artesãos. Trilhões são gastos para manter a maior máquina de guerra jamais vista pela humanidade, à custa do endividamento, da miséria e da paralisia da nação americana e das espoliações que realizam nas nações dependentes e nas militarmente ou economicamente ocupadas em todo o mundo.
Diante da ameaça de uma guerra que poderia destruir não só o socialismo, mas todo o planeta, passa a prevalecer a intimidação diante do imperialismo e a defensiva ideológica e política. Surgem vacilações de como continuar avançando na construção do jovem socialismo, e nesse momento o interesse de alguns, movidos pelo mais vil individualismo, elementos contra-revolucionários, apoiando-se nos bolsões dos antigos proprietários e seus descendentes, passam a defender a conciliação e o apaziguamento com o imperialismo no campo externo. Na tentativa de apaziguar o imperialismo, assumem suas criticas contra o socialismo e usam-nas para perseguir os comunistas mais avançados abrindo espaço para um importante retrocesso e desacelerarão no impetuoso ritmo de crescimento da primeira metade do século da revolução. A fase mais revolucionária do socialismo passa a ser atacada como se esta fora, de fato, forjada num ritmo forçado, com base em atitudes autoritárias contra o povo, e não fruto da liberação da imensa energia revolucionária das massas contra seus algozes. Semeando a confusão, a divisão e o desestímulo, passam a dar marcha atrás no processo de coletivização e de socialização da sociedade, passam a defender o retorno ao “mercado”, o retorno do capitalismo e de todos os seus valores. Após introduzir na URSS diversos mecanismos da economia capitalista, ainda precisaram de quatro décadas, somente em 1989, passaram a defender abertamente a volta da propriedade privada dos meios de produção e da economia capitalista de mercado, na qual prevalecem os lucros e interesses individuais de uns poucos que concentram a riqueza, em detrimento da propriedade coletiva e do bem estar social alcançado com a economia planificada e consciente em que se baseia o socialismo.
Com o retrocesso capitalista na Rússia o problema mais agudo que surgiu de imediato, em relação às mulheres foi o desemprego. No capitalismo em geral, bastam vir a recessão e as crises que retrocedem violentamente os direitos adquiridos pela mulher. No caso do retrocesso do socialismo ao capitalismo, onde esses direitos eram quase totais esse quadro muda ainda mais violentamente para as mulheres. As mulheres são as primeiras a serem demitidas.
Na economia socialista atingiram-se índices de 90% das mulheres empregadas, hoje entre os desempregados 70% são mulheres. A remuneração das mulheres caiu para 30 a 50% do que recebem os homens por um trabalho exatamente igual, de acordo com a OIT. Mais de 5 milhões de trabalhadoras se vêem obrigadas a buscar a crescente economia informal para tentar sobreviver sem nenhum direito ou cobertura das leis de proteção ao trabalho feminino. As leis trabalhistas básicas são constantemente violadas, mulheres são demitidas quando engravidam, aquelas que têm filhos pequenos simplesmente não são contratadas e é comum trabalhadoras fazerem acordo com as empresas de não engravidar enquanto durar o contrato.
Paralelamente, o colapso dos programas sociais deixou sem assistência milhões de crianças e mães trabalhadoras. Os resultados dessa situação são aterrorizantes. Em 2004, praticou-se 1.600.000 abortos na Rússia, dos quais mais de 50% eram de jovens menores de 18 anos, conforme os dados da Academia Russa de Ciências Médicas. O aumento da taxa de mortalidade infantil e a queda da taxa de natalidade têm gerado um grave problema populacional, ameaçando o futuro do país. Segundo dados divulgados pela ONU em 2004, a Rússia perde 1 milhão de pessoas ao ano desde 1998.
Bastou retornar o capitalismo na antiga URSS e o que aconteceu com os direitos da mulher e principalmente com a participação da mulher na produção e no trabalho? Um enorme retrocesso. O que deixa claro, e de forma contundente, que se depender do imperialismo e dos monopólios as mulheres continuariam e continuarão, no fundamental, fora da produção, prestando um bom serviço como domésticas, barateando o valor da força de trabalho, aumentando seus lucros, permitindo o Estado mínimo, garantido que a educação e a maternidade sejam vistas como um problema individual, privado, de cada homem ou de cada mulher, no máximo de cada família, mas nunca como algo social. Educação, procriação e maternidade são necessidades sociais e, portanto, precisam ser resolvidas pelo Estado. Mas para a burguesia monopolista, isso é obrigação doméstica e das mulheres, que para tanto não podem querer ir para a produção, ou se quiserem tem que esquecer esse negócio de maternidade, filhos, marido, família e sexo, ou seja, reprimir sua sexualidade para se colocar em condição de disputar com os homens. E os homens, é claro deveriam concordar com isso.
Nossa luta é pelo direito ao trabalho!
Nossa luta é pelo direito ao trabalho como Mulher!
Seja pelo aprendizado histórico da revolução socialista seja pelos retrocessos posteriores, o que fica claro é que a luta pelo direito ao trabalho é, pois a nossa luta principal para a emancipação da mulher. A luta pelo direito ao trabalho em tudo o que ela significa: a luta pelo desenvolvimento nacional, contra os entraves que paralisam os países, os juros, a dominação dos mercados pelas empresas e produtos estrangeiros, a transformação dos países em fornecedores agrícolas e de matérias primas e riquezas naturais, enquanto as indústrias ficam nos países imperialistas, deve caminhar junto com a luta específica para a mulher ser integrada à produção como mulher, com sua identidade feminina garantida, direito à maternidade e assistência especial, direito a creche no local de trabalho para os recém nascidos e pequeninos, direito ao salário igual, direito à qualificação profissional, a instalações fabris próprias para a mulher e etc.
Certamente a revolução socialista na Rússia com todas as suas conquistas sociais, econômicas, culturais e humanas deixou raízes profundas. A história não se desenvolve de forma linear. Jamais se apagará a contribuição desse povo, bem como de suas mulheres, na construção do socialismo no mundo, com valorosos exemplos de desprendimento e amor à Humanidade. A nossos irmãos e irmãs russas seremos eternamente gratas.
Diante da nova realidade histórica, com o retrocesso do socialismo na URSS, com o imperialismo promovendo suas guerras e provocações, e apesar dos bloqueios e agressões, hoje avançam os direitos da mulher na heróica luta de Cuba, China, Coreia, Vietnam, Angola, entre outros…
Na China, em 2001 (hoje estes dados foram já superados) as mulheres trabalhadoras respondiam por 37% dos empregos em empresas; 43,4% em instituições; 24,4% em órgãos estatais e departamentos de governo; 43,5% no setor de serviços e 57% em setores de saúde pública, cultura física e serviços de bem-estar social. Nos últimos anos, 5 milhões de mulheres desempregadas foram capacitadas e a maioria delas já encontrou emprego. O enorme país oriental promoveu batalhas sem trégua para resolver problemas sociais seculares que afetavam as mulheres. O analfabetismo foi enfrentado com radicalidade. Nove de cada dez mulheres chinesas eram analfabetas. No ano 2000 só 8,6% da população feminina ainda não sabia ler e em 2001 foram decretados 9 anos de escolaridade obrigatória. As mulheres professoras de todos os níveis, primário a superior, são 46,3% do total. A rede de saúde de atendimento à maternidade permite que mais de 90% das mulheres façam pré-natal, 78% façam seu parto em hospital e 87% recebam visita domiciliar pós-parto. Em 1995, em Pequim, realizou-se a maior e mais expressiva Conferencia da Mulher da ONU, na qual ficou patente os altos índices de avanços da mulher na milenar cultura chinesa com a República Popular da China.
Em Cuba em menos de meio século após a Revolução, as mulheres são 45,2% da força de trabalho. Na categoria de técnicos e profissionais, as mulheres são 66,2% dos empregados, e nas últimas eleições para o parlamento, a representação feminina alcançou 35,96%, quinto lugar no mundo, superando antigos preconceitos, Têm garantido o direito ao emprego, direito ao salário igual por trabalho igual, à seguridade social, à licença maternidade pré e pós natal, a taxa de mortalidade materna é de 33,9 por cem mil nascidos vivos. Na educação, há muito se erradicou o analfabetismo e hoje 62% das matriculas nas universidades são de mulheres.
O movimento feminino passou por um período de resistência e dificuldades, mas as mulheres vão à luta. A luta contra a flexibilização dos direitos trabalhistas, contra a violência doméstica e sexual, contra os preconceitos, são o reflexo desse período de retrocessos.
A FDIM, como herdeira de toda essa história de lutas e conquistas, desde seu congresso de fundação, em 1945, mobiliza as massas de mulheres e intervém nos fóruns internacionais e nacionais, dirigindo e apoiando as iniciativas das diversas organizações e governos que lutam contra a dominação imperialista, a discriminação e os preconceitos de gênero, bem como (para separar o que é contra e o que é a favor) promovem a igualdade de direitos da mulher
A proposta de realização do Ano Internacional da Mulher, em 1975, apresentada à ONU pela FDIM, teve grande ressonância, refletindo o grande crescimento das organizações feministas como uma força ativa e poderosa. A partir dessa iniciativa do Ano Internacional da Mulher, foi aprovada pela ONU a Década da Mulher, que se reuniu em 1985 em Nairobi e, em 1995, em Pequim.
O VII Congresso da FDIM, em 1975, aprovou as deliberações do Congresso Mundial que, dentre as diversas proposições de caráter político, econômico e social, incluiu o aborto legal, no interesse da saúde da mulher, sem perder de vista o esforço de esclarecimento sobre os métodos de prevenção da gravidez, de planejamento familiar e o acesso aos métodos anticoncepcionais. O Congresso deliberou ainda prosseguir reforçando as iniciativas pela adoção da Convenção pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulher no terreno político, econômico, social e cultural.
As conferências de Copenhague (1980) e Nairobi (1985) apontam a violência de gênero como uma ofensa a dignidade humana. Na década seguinte evidenciaram-se avanços importantes no campo do combate à violência contra a mulher, instando inclusive diversos governos a assumirem compromissos para sua eliminação.
Em muitos países do mundo, como no Brasil, o movimento de mulheres denuncia a banalização da violência, obtendo importante conquista contra a tese da “legítima defesa da honra”, aceita até então nos tribunais, (sem a vírgula o sentido seria outro, este parece-me o correto) para aliviar os bárbaros assassinatos cometidos contra mulheres.
Ainda são sombrias as estatísticas de violência contra as mulheres e meninas, em especial a violência doméstica, que apesar da insuficiência dos dados estatísticos, no caso do Brasil atinge principalmente mulheres jovens, entre 15 e 29 anos, em mais de 25% dos casos. E devemos defender uma política pública de assistência às vítimas em conjunto com medidas de prevenção e combate à violência.
O enfrentamento da questão da violência contra a mulher exige, portanto, uma política firme de punição rigorosa aos crimes e agressões contribuindo assim para coibi-los. No entanto sabemos que as mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais são fundamentais para a efetiva solução do problema.
O sistema capitalista, em suas crises, em especial nos países dependentes, faz com que o desemprego, a fome e a miséria invadam os lares, desestruturando as famílias. Os monopólios e sua mídia disseminam a idéia que os problemas de desemprego e miséria são por conta do despreparo do trabalhador e não por conta da pouca oferta de emprego. Essa realidade oprime o trabalhador, que se sente incapaz de honrar com o seu papel de provedor, que lhe é imposto. Oprime também a mulher que, sem ter a perspectiva de ir para a produção, passa a cobrar do marido uma solução e frequentemente a colocar o marido também como principal responsável pelas carências não atendidas por ele. Muitos deles não suportam essa enorme pressão, diante da responsabilidade perante os filhos, a mulher, o conjunto da família e da sociedade. A crise que é social invade os lares e desagrega a família, frequentemente gerando brigas, violência doméstica, o abandono do lar. Coibir e punir os crimes que são cometidos nesse quadro de desagregação e cujas vítimas são geralmente a mulher e os filhos é muito importante, mas não se pode perder de vista a luta para que haja a compreensão de que o melhor é que ambos devem se unir para o enfrentamento do opressor comum, inclusive educando as futuras gerações na conquista de um mundo mais igualitário, o que deve ser o nosso objetivo comum.
No que se refere aos direitos reprodutivos e sexuais, muito se tem para avançar, principalmente naqueles países que adotaram a cartilha neoliberal, de privatizações, de taxas de juros altos, de superávit fiscal e, em especial, a política de “estado mínimo” imposta pelos monopólios aos países de economia dependente.
A inclusão do enfoque de gênero às políticas públicas, na última década do milênio, em vários países, é um avanço muito positivo quando se propõe a incorporar a pauta das diversas formas de desigualdade às políticas públicas, o que implica em se propor a atender a mais da metade da população, e que na prática vai esbarrar nos entraves da política econômica imposta pelos monopólios.
O estado não assegura as condições para o adequado planejamento familiar, garantindo o acesso gratuito aos meios contraceptivos, o que agrava as dificuldades da mulher em buscar o trabalho, os problemas da saúde daí advindos, as laqueaduras precoces, a incidência da gravidez interrompida e o agravamento das condições de sobrevivência da família. É cerceada a liberdade de decidir, quando e quantos filhos desejam ter. Aos jovens não lhes é permitido o pleno desenvolvimento da sua sexualidade através da orientação sexual e o acesso em massa aos meios contraceptivos. A mulher jovem quando engravida – hoje 1,1 milhão de adolescentes engravida anualmente no Brasil -, não lhe é garantido pelo Estado o direito e nem as condições para assumir aquele filho. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil o aborto provocado é a quinta maior causa de internação de mulheres jovens, 146 internações por dia e a terceira causa de morte materna no país. De acordo com a OMS a taxa de mortalidade materna é três vezes maior na adolescência, em comparação com a gestante adulta.
Avançamos muito sobre os métodos contraceptivos e o conhecimento do próprio corpo, mas esse controle nunca será 100%, em especial na adolescência e juventude. Onde ficam as emoções e o imprevisível? A não ser que se opte pela abstinência total, ou a não ter relação sexual com o sexo oposto. O discurso do total controle do corpo é falacioso. É o discurso das agências dos monopólios e seus representantes que querem controlar tudo no mundo, as taxas de crescimento das economias dependentes em 1% ou, de preferência zero, o crescimento das populações, também de preferência zero, ou seja quantos filhos temos que ter, de preferência nenhum, nossos salários, ou seja querem controlar tudo.
A política do “estado mínimo” dos monopólios não permite sequer leitos em número suficiente nas maternidades para atender condignamente a mulher na hora do parto.Nossa luta de décadas para mulher se libertar dos preconceitos e da repressão sexual abriu caminho para nossa juventude avançar ainda mais. Mas para plena liberdade sexual da mulher é fundamental, além de combater os preconceitos, lutar por uma sociedade e um Estado que assumam a maternidade como função social.
Resultado do crescimento da luta das mulheres, a questão de gênero também foi incorporada nas estratégias dos bancos e agências financiadoras dos monopólios que assumem um discurso de combate à pobreza e pelo desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo. Essas agências passaram a arrolar a questão de gênero dentro do consenso de Washington na tentativa cooptar o movimento de mulheres, percebendo a sua força de opinião e capacidade de influenciar através da educação. O financiamento de projetos de “educação” para mulheres de baixa renda, mães chefe de família, projetos de modernização do ensino entre meninos e meninas etc., são exemplos dessa política.
Em 2001 o Banco Mundial, na sua estratégia para reduzir a pobreza no mundo, anunciou entre “os objetivos do milênio” a “promoção da igualdade entre os gêneros”, e “dar mais poder às mulheres”, daí provavelmente surgiu o termo “empoderamento das mulheres”. Essa é portanto mais uma tentativa de cooptação das mulheres e dos movimentos feministas, porque essa mesma política dos monopólios está em contradição aberta com criar as condições e estruturas coletivas para que as mulheres de todas as classes sociais tenham acesso aos espaços de poder e assumam de fato a sua justa participação no poder.
Mais recentemente a mídia monopolista tem afirmado que “o feminismo tal como foi concebido na década de 60 está enterrado ou perdeu-se no caminho”.
A afirmação de que teríamos partido de teses, como por exemplo, de que “a luta da mulher é contra o homem”, ou que “a dupla jornada é principalmente porque os maridos não ajudam”, ou que “a igualdade de direitos seria para as mulheres fazerem tudo igual aos homens”, são afirmações e idéias falaciosas, equivocadas e abertamente incentivadas pela mídia dos monopólios e seus institutos.
A luta contra o neoliberalismo e suas consequências para a mulher cresce e conquista espaços importantes em todo o mundo.
A derrota da política neoliberal na América Latina através das eleiçoes e reeleições dos presidentes Hugo Chaves, Lula, Kirchner, Tabaré, Michelle Bachelet, Evo Morales, Daniel Ortega, Rafael Correa, abrem uma nova correlação de forças na América Latina, aprofunda-se o isolamento do neoliberalismo e seus asseclas abrindo espaço para a retomada da ofensiva dos trabalhadores na luta da mulher pelos seus direitos.
Na América Latina que vive um momento de mudanças e mobilizações contra o imperialismo estadunidense, a Venezuela, é o exemplo mais recente e mais vigoroso. No país que enfrentou até os últimos anos da década passada a política neoliberal do imperialismo americano e seus capachos, agora com o governo revolucionário do presidente Hugo Chávez, abre-se um novo tempo de progresso e enormes oportunidades para as mulheres.
O incremento do número efetivo de mulheres a força de trabalho opera a um ritmo acelerado, maior do que entre os homens. A evolução desde 1999 até o primeiro trimestre de 2002, indica que o número de homens ativos aumentou de 430.000, enquanto o número de mulheres ativas aumentou em 630.000. A taxa de atividade das mulheres apresentou um crescimento sustentado, desde meados de 2001, aumentando de 47,3% entre as mulheres de 15 anos e mais, para 53,3% no primeiro trimestre de 2002.
Nesse mesmo ritmo de ampliação das oportunidades de trabalho e incorporação da mão de obra feminina, houve um aumento do nível de ocupação, do primeiro trimestre de 2000 ao primeiro trimestre de 2002, de 340.000 homens ocupados, em comparação com um aumento de 580.000 mulheres, ou seja: a participação das mulheres na atividade econômica direta aumenta a um ritmo espetacular na Venezuela com o governo revolucionário do presidente Chavez.
Acompanhando esse ritmo, a queda das taxas de desemprego é ainda mais expressiva. Desde o primeiro trimestre de 1999 até o quarto trimestre de 2000, houve uma sistemática diminuição do desemprego, especialmente entre as mulheres, que passou de 18,9% a 13,3%.
Bastou que o governo revolucionário da Venezuela desse os primeiros passos no sentido de diminuir os sofrimentos e a tremenda dívida social com os trabalhadores e com as mulheres venezuelanas, para que os porcos do império começassem a berrar, através da sua mídia vendida e seus vassalos, tentando um golpe contra o presidente Hugo Chavez, mas o povo armou-se em barricadas em defesa da pátria de Bolívar expulsando os vendilhões.
Nesse período o desemprego voltou a subir, chegando a taxa a 17,2%, entre as mulheres, para em seguida, após a vitória das forças revolucionárias e rumo ao socialismo, voltar a cair e passar a incorporar aceleradamente centenas de milhares de mulheres a produção, decrescendo a 11,2%, em 2006, sendo que entre os trabalhadores em geral é de 9,5%.
Na educação básica, através da Missão Robson, que conta com a participação de homens e mulheres organizados, erradicaram o analfabetismo. Em 2005 a Unesco declarou a Venezuela território livre do analfabetismo. De 1.482.543 adultos, acima de 15 anos alfabetizados, 65% eram mulheres.
No combate a fome o governo oferece através de rede de mercado própria os produtos de primeira necessidade a menor custo para os setores com menos recursos.
O salário mínimo na Venezuela nos 7 anos da Revolução, de 1999 a 2006, saltou de 120 mil para 512,3 mil bolívares, enquanto a inflação caiu de 20% para 12,5% ao ano. Neste período o salário mínimo subiu de 36 para 238 dólares, o que representa um incremento de 560%, beneficiando em grande parte as mulheres das camadas populares que vivem com o salário mínimo. Além disso, o presidente Chavez equiparou o salário mínimo da cidade e do campo; decretou a garantia do emprego para proteger os trabalhadores; se discutem as convenções coletivas em todos os sectores; se homologam as aposentadorias ao salário mínimo; e se permite e incentiva a maior organização sindical.Em 2005, o presidente Hugo Chávez iniciou o processo de co-gestão, promovendo a participação dos trabalhadores na gestão do Estado.
Medidas legalmente aplicadas protegem a mais de 60% da população até o momento, através da Missão Bairro Adentro, com consultórios populares de atenção primaria nos bairros. A taxa de mortalidade materna caiu a 49,6 por 100 mil nascidos vivos.
O acesso a água potável nos domicílios aumentou de 12 pontos percentuais, de 82 a 94 pessoas em cada 100 conta com água potável.
Em 2005 o presidente Hugo Chavez aprovou uma ajuda temporal ou permanente de 80% do salário mínimo para as donas de casa que carecem dos meios mínimos de sobrevivência.
Ainda com relação às melhorias das condições econômicas da mulher o governo criou o BANMUJER, através do qual já beneficiou 1.100.000 pessoas, gerando 217 mil empregos.
Esses importantes avanços, em tão pouco tempo, estão sendo possíveis porque o povo venezuelano, tendo a frente o presidente Hugo Chavez, tiveram a clareza, a coragem e destemor de expulsar os monopólios e os vendilhões da pátria e travam um duro combate ao atraso, a burocracia, às tentativas de sabotagem e pela reconstrução do país com a participação ativa das mulheres venezuelanas, se integrando à produção e em todas as Missões.
Na Venezuela recentemente o presidente Hugo Chávez assinou a Lei Orgânica pelo Direito das Mulheres a uma Vida sem Violência. A lei representa um importante avanço porque incorpora diversos tipo de violência, como a institucional, obstétrica, trabalhista e midiática, além de estabelecer a criação dos tribunais de gênero e sancionar os agressores com prisão, multa, indenizações e trabalho comunitário.
No Brasil a política firme do presidente Lula, tem garantido inúmeras conquistas para as mulheres. A fome é passado para 44 milhões de brasileiros através do programa Bolsa Família, o salário mínimo aumentou de R$200 para R$360 um aumento de 75%, enquanto a inflação do periodo não passou dos 25 %, beneficiando 19 milhões de trabalhadoras. Os alimentos ficaram mais baratos e o salário que antes gastava 86% para comprar uma cesta básica de alimentos agora gasta apenas 16%. Cinco milhões e meio de empregos foram criados com todos os direitos da carteira de trabalho assinados. 320 mil mulheres receberam créditos para a agricultura familiar. As mulheres são 56 % dos trabalhadores que cursaram a formação profissional. Três milhões e oitocentas mil mulheres foram alfabetizadas, duzentas e cinco mil jovens receberam bolsa de estudo gratuita para as universidades, 125 milhões de livros escolares foram distribuídos gratuitamente. 4 milhões de moradias passaram a receber luz no programa Luz para Todos. Anticoncepcionais são distribuídos para todas as mulheres gratuitamente permitindo um melhor planejamento familiar. 15 milhões de pessoas foram ao dentista pela primeira vez. Através da Secretaria Especial de Políticas para a Mulher tem se dado destaque ao combate à violência contra a mulher, promulgando recentemente (2006) a Lei nº 11.340, que pune a violência doméstica e familiar contra a mulher, também chamada Lei Maria da Penha.
O amadurecimento do movimento de mulheres, das idéias feministas, revolucionárias
As mulheres vêm na sua trajetória de luta, no essencial buscando uma identidade própria, abrindo espaços próprios de afirmação da nossa personalidade, na sociedade, no trabalho, na política e contra todas as formas de discriminação, unindo, agregando e integrando-se aos movimentos sociais, embora algum setor do movimento feminista possa ter se confundido, em algum momento, em um ou outro desses pontos acima. Poderíamos questionar, porque a mídia haveria de dar repercussão ao estereótipo da mulher masculinizada? Com certeza, porque isso geraria resistências naturais e afastaria as amplas massas de mulheres, que efetivamente assumem a sua condição feminina, a se integrarem ao movimento de libertação. A mídia dos monopólios não torce nem trabalha pela nossa libertação, ao contrário nos querem submissas a ela.
Paralelamente quando afirmam que o movimento feminista tenha fracassado porque não conseguiu fazer com que os homens assumissem a divisão do trabalho doméstico, tentam esmagar o movimento de mulheres como se tivéssemos lutado por um objetivo que fracassou. Na verdade, a política dos monopólios submete os países dependentes à estagnação econômica, acirrando as contradições e levando a expropriação dos trabalhadores a níveis desumanos, onde o trabalhador e a trabalhadora têm que se desdobrar em 12 horas de trabalho fora do lar, e ainda arcar com os afazeres domésticos para sobrevivência da família e da reprodução da força de trabalho. Tudo isso sem contar com uma infraestrutura mínima de serviços coletivos que alivie a dupla jornada, o que culturalmente recai mais sobre os ombros femininos.
A opressão de classe submete o homem a servir de instrumento da dominação, para que este submeta a mulher sem que fique claro para ela quem de fato a submete, é como o escravo que crê que seu opressor é o capataz e não o senhor, ou o operário que crê que seu opressor é o capataz e não o burguês, Se a ideologia burguesa condiciona a mulher a submeter-se condiciona o homem a submetê-la. O homem pode parecer assim, à primeira vista como a causa da opressão da mulher. Na verdade, a questão não é esta. O homem é simplesmente um instrumento involuntário da opressão que se exerce sobre a mulher em muitos aspectos da sua vida. Da mesma forma que a mulher não é naturalmente dependente, submissa ou destinada a ser objeto da ação do companheiro, etc., o homem não é naturalmente dominador, autoritário e senhor da vida da companheira. Ambos estão inconscientemente dominados para que se comportem assim e transformados em instrumentos contraditórios, mas que se completam, de algo que não controlam e que determina sua existência, inclusive as relações alienadas que mantém entre si: a produção capitalista e a opressão de classe que dela advem.
O imperialismo e seus monopólios, na atual fase, cada vez mais degenerada, estimulam e promovem as guerras, a miséria, a fome, o atraso e o saque das riquezas naturais e energéticas. Para continuar subjugando os povos e dar sustentação à sua política de rapina, disputam as mulheres, como importante reserva ideológica, metade da população mundial. A mídia dos monopólios produz, cotidianamente, a idéia deturpada sobre quem seria o nosso inimigo principal, ou sobre quem estaria contra a emancipação da mulher, demonstrando parecer estar do nosso lado, estimulando a visão de que o homem, o companheiro é o nosso principal opressor.
A crise é profunda, a degeneração do império é cada vez maior. O inimigo na sua crise e degeneração vai buscar todas as reservas. Não vamos reproduzir o discurso daqueles que são na essência os responsáveis pela opressão secular da mulher e tentam isolar o movimento de mulheres do processo coletivo de efetiva transformação.
Ao contrário do que tenta nos impor o imperialismo, os monopólios e sua mídia, como nossa bandeira, podemos afirmar:
A nossa luta não é contra os homens!
A nossa luta é contra os monopólios, é pela libertação nacional, é contra o imperialismo.
A nossa luta é pelo socialismo.
A nossa luta é pela libertação das nações e dos povos do jugo do imperialismo, das suas guerras de rapina, do seu individualismo animal, da sua violência que desagrega as nações e as famílias, que humilha nossos maridos e violenta nossos lares, nossos filhos e a nós mulheres. A nossa luta é pela unidade das mulheres, pela unidade das mulheres trabalhadoras com os homens trabalhadores, é pela unidade dos trabalhadores com todo o povo pela sua emancipação, pela unidade das nações oprimidas e espoliadas, pelo fim do imperialismo, pelo fim da barbárie, nossa luta é pelo socialismo, único caminho capaz de libertar homens e mulheres da exploração do homem pelo homem, e de libertar a ambos de sua alienação, tornando-os definitivamente sujeitos do seu destino e da sua história e não objetos, submissos ao capital e à propriedade privada.
A nossa luta é contra toda tentativa de dividir as nações e povos oprimidos, contra toda tentativa de manipular e dividir os trabalhadores, homens e mulheres, contra toda tentativa de dividir os trabalhadores do campo e da cidade, operários e intelectuais.
Nossa indignação pela opressão milenar em que vivemos como mulheres, nossa sede de justiça será toda canalizada contra nossos verdadeiros algozes, os monopólios e o imperialismo, nada nos desviará dessa luta, nada nos oporá aos nossos companheiros, vítimas como nós da opressão do império, no caminho da nossa libertação.
Nós mulheres já sentimos o gosto da nossa libertação e vimos em todas as experiências socialistas já vitoriosas, e mesmo nas que retrocederam, as revolucionárias conquistas que nós mulheres obtivemos em nossa luta ombro a ombro com nossos companheiros, e que nunca foram ultrapassadas por nenhum país capitalista nem pelos países imperialistas mais ricos, vimos que foi a nossa unidade com nossos companheiros que permitiram este espetacular avanço e que é junto com eles que cresceremos e avançaremos, junto com eles atingiremos nossa total emancipação, para desespero dos nossos algozes e seus agentes midiáticos.
A dominação da mulher surgiu com a propriedade privada e, portanto a sua extinção é uma condição objetiva e necessária para a superação dos preconceitos seculares. Queremos retomar o que é nosso, queremos a propriedade sobre os meios de produção. Ao mesmo tempo sabemos que avançar na consciência coletiva das questões específicas da mulher nos permite liberar uma enorme energia para lutar contra o inimigo comum do atraso, o imperialismo e seus monopólios que exploram, submetem e oprimem os povos, mulheres e homens, em diversos países do mundo.
A vitória contra a discriminação e sobre as desigualdades de gênero promete-nos uma longa caminhada de lutas a nossa frente. Os exemplos de conquistas das revolucionárias, que a história nos brindou são imensos. O momento é portanto de amadurecimento do movimento de mulheres e das idéias feministas, revolucionárias. O momento é de unir forças para combater o verdadeiro inimigo da libertação das mulheres, e darmos um salto em direção à igualdade da mulher.
Viva a libertação da Mulher!
Viva FDIM!
Confederação das Mulheres do Brasil – CMB

Texto bonito. Uma aula sobre a União Soviética. Achamos um artigo sobre o assunto que queríamos compartilhar com o senhor: link https://br.rbth.com/arte/historia/2017/03/25/cinco-mulheres-que-marcaram-a-revolucao-russa_723241
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