Houve bolha imobiliária no Brasil após a crise de 2008?

Em 2013, o economista Cássio Roberto Leite Netto dissertava para o mestrado em Ciências Contábeis na USP sobre as “condicionantes de formação de preços dos imóveis residenciais nos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro e a possibilidade de formação de bolhas imobiliárias“.

O estouro vivido anos antes nos EUA pode ter-lhe sido motivador na escolha do tema.

Reconhecendo a dificuldade de predição da formação e estouro das bolhas de ativos, Cássio estudou o que antes se produziu sobre o assunto, material recheado de ressalvas quanto às possibilidades de ocorrência dos fenômenos. Como afirmado pela MB associados, “basta lembrar que a recente bolha imobiliária nos EUA foi apontada por apenas alguns analistas e diversos economistas de respeito não conseguiram identificar um descolamento dos preços dos imóveis de seus fundamentos”.

As implicações decorrentes da crença na existência de uma bolha podem ser tão desastrosas quanto a crença de que ela não exista.

Muitos são os aspectos que dificultam as projeções, a começar pela influência que a opinião dos especialistas possa ter sobre os agentes do mercado imobiliário – corretores, compradores e proprietários. A crença de que os preços dos imóveis não caem também leva os proprietários a não venderem seus ativos quando a tendência é de baixa, forçando o valor para cima.

O estudo das duas maiores cidades brasileiras indicou:

Em São Paulo, houve crescimento mais forte no índice de preços [mas] o índice observado não se distanciou da curva de longo prazo.

No Rio de Janeiro houve crescimento mais forte do índice observado, […] inclusive a superação da curva de longo prazo. Em seguida, houve uma inversão bastante suave na tendência do índice observado, que aponta, ainda que de forma bastante lenta, para a curva de equilíbrio.

Como conclusão, embora no Rio de Janeiro uma bolha tenha sido formada, “não há evidências de risco iminente de ruptura de preços em ambos os mercados”, reiterando que a tese data de 2013 e os estudos envolveram dados dos cinco anos anteriores.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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