Bolsonaro é fascista?

Quem responde, no Jornal GGN, é o engenheiro, jornalista, advogado e cientista político José Manoel Ferreira Gonçalves.

O abalizado arrazoado abaixo mostra que o presidente é ainda pior do que lhe alcunham.

Não, não é meramente fascista, é muito pior, Bolsonaro é perenialista! Em 2018 o bolsonarismo explodiu como uma barragem de rejeitos da Samarco, cuja lama, além da presidência da república, ocupou inúmeros governos estaduais, inclusive dos estados mais ricos, como São Paulo e Rio de Janeiro e uma verdadeira horda de deputados estaduais e federais. Foi um fenômeno, sem dúvidas, mas na política não há fenômenos fortuitos.

Uma das razões que ajudaram a que esse fenômeno se tornasse incontrolável reside no fato de termos compreendido mal a base ideológica que o sustentou e, apressadamente termos carimbado de fascismo.

De fato, há muito do fascismo em Bolsonaro, notadamente na forma, mais exatamente na iconografia, centrada nas imitações diretas e farsescas do que criou Mussolini, como as motociatas e cenas nas praias, com barcos e jet-skis. A ideologia que criou o mito e o sustenta, no entanto, é outra e tem nome, chama-se Perenialismo.

O Integralismo como base do fascismo e do perenialismo

Pelo que vimos até aqui, podemos dizer que o Conservadorismo de Burke substanciou o Integralismo de Maurras que, via Corradini deu no fascismo de Mussolini (que sob vertentes tomou conta de boa parte da Europa no na primeira metade do século XX) mas também foi base de Guenón para o Perenialismo, verdadeira corrente ideológica de sustentação do bolsonarismo, influenciando diretamente em a eleição de Bolsonaro, via Steve Bannon, e em seu governo, via Olavo de Carvalho, inclusive com indicação de ministros.

Ainda que o fascismo tenha mais tarde se juntado à Igreja Católica que antes negava, o fascismo jamais foi fundamentalista, ao contrário, era camaleônico. Tampouco o fascismo era baseado em valores de ordem moral. O que comungavam é o nacionalismo.

Como disse acima, Bolsonaro imita Mussolini em algumas ações e iconografia, mas a única semelhança ideológica repousa no nacionalismo, ainda assim, apenas na forma, na exaltação dos símbolos nacionais, já que na economia pratica um entreguismo desbragado.

Mesmo que Lula vença as eleições e governe, o bolsonarismo vai resistir e teremos de lutar contra ele e, nada mais perigoso numa luta que desconhecer o adversário. Ou, ainda pior, crer que o conhecemos, quando temos apenas uma pálida imagem do realmente ele é. No limite, corremos o risco de fortalecê-lo, enquanto atiramos para onde ele não está.

Para ficar em um exemplo, o perenialismo é profundamente fundamentalista, pode ser que o Bolsonaro não seja, não importa, mas acendeu o fundamentalismo em grande parte da população. O invencível Aquiles foi facilmente derrotado quando se descobriu qual era seu ponto fraco. O calcanhar do bolsonarismo, entendo, só será identificado estudando essa base teórico-ideológica que o criou e sustenta. E, acredite, ele não resistirá a um ataque certeiro. (+647 palavras, Jornal GGN)

Em tempo: A Tariqa, à qual pertencia Olavo de Carvalho, era da ordem Sufi. Convertido ao islã, Olavo de Carvalho era chamado de Sidi Muhammad.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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