Sobre segurança alimentar e a “expansão internacional” da China

Do debate sobre o mundo do trabalho na China veio em contribuição estudo de acadêmicos capixabas* sobre a aquisição chinesa de terras mundo afora. O material foi publicado no 1º semestre de 2014 na revista eletrônica da PUC/RS.

Se Xiaoping acreditava em 1987 que a renda percapita no país chegaria a USD 4.000 em 2050, os autores antecipavam a marca para este ano, quando já se superou a marca dos dez mil.

Faleiros e seus colegas usaram o exemplo chinês como paradigma da busca de segurança alimentar e suprimento mineral mediante a aquisição de terras no exterior. Os números coligidos trazem um crescimento contido da população chinesa, com alta migração para os centros urbanos – em trinta anos um terço dos chineses saíram do campo para a cidade.

As fontes de informação sobre propriedade rural por estrangeiros não mostram dados mais atuais, mas a história contada ensina que 75% das compras a partir do gigante asiático provieram de fundos internacionais, sendo que os 25% soberanos muitas vezes vieram acompanhados de infraestrutura industrial e logística para exportação ao interessado. E, nestes dias, do perdão chinês das dívidas dos países da África.

Plantação de arroz na China

Quanto à segurança alimentar, a cada chinês em 2008 correspondia mais de um quilo de grão por dia, dos quais 15% eram importados. Dez anos depois, a produção interna de dezenas de milhões de pessoas a menos já ampliou a oferta per capita, sem mesmo contar com a importação suplementar.

A citação em inglês do presidente chinês à página três do estudo continha uma profissão de fé: o desenvolvimento ulterior chinês seria exemplar para o mundo e comprovaria a superioridade do socialismo sobre o capitalismo. Os números estão aí para cada um fazer o seu juízo.

Os autores trazem também justa preocupação com a venda de terras a estrangeiros no Brasil, a qual os imbricados controles societários das empresas e fundos adquirentes tornam difícil a identificação da nacionalidade do comprador. Já então, algo entre uma Alagoas e um Rio Grande do Norte estaria registrado em nome não brasileiro. A ausência de controle público entre 1998 e 2010 remete à necessidade de censo rural para estabelecer o quinhão exato.

*Rogério Naques Faleiros, Paulo Nakatani, Neide César Vargas, Paula Nabuco, Helder Gomes, Rafael Venturini Trindade, da UFES

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Um comentário em “Sobre segurança alimentar e a “expansão internacional” da China

Deixe uma resposta para Olimpio Tadeu Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: