Impasse em Israel: o que as eleições revelam sobre a crise do regime sionista?

O jornalista Paulo Cannabrava, no Diálogos do Sul, entrevistou seu colega Natanael Braia, brasileiro, judeu, ex-vereador e editor internacional da Hora do Povo, conhecedor da realidade israelense desde os tempos em que lá passou seu tempo de exílio do Brasil.

Braia avaliou o resutlado eleitoral como o início de um processo que pode abrir uma discussão na sociedade israelense de transformação da realidade corrente. A coligação governista, encabeçada por Netanyahu e seu Likud caiu de 64 para 53 cadeiras no parlamento, restando a oposição com uma maioria de 67 cadeiras. Destas, 48 foram cominadas à coligação da Gade Eisenkot, ex-chefe do Estado-maior das Forças de Defesa de Israel, que apresenta algumas divergências político-ideológicas com o atual governo fascista; e 19 para os democratas e partidos árabes, que podem participar do novo governo, como reflexo das manisfestações conjuntas dos diversos segmentos da população.

É possível, esclareceu o entrevistado, ser formado um governo sem maioria absoluta na Knesset, desde que não haja 61 votos contrários à escolha do primeiro-ministro, cenário que resultaria no afastamento de Netanyahu do governo.

Entre as contradições presentes, Eisenkot promete governar para os sionistas, enquanto a oposição progressista com Iair Golan quer a emancipação palestina.

Entre as contradições presentes, Eisenkot promete governar para os sionistas, enquanto a oposição progressista com Iair Golan quer a emancipação palestina.

Perguntado sobre o fim do conflito em Gaza, Braia lembrou que 5 mil moradores já morreram desde a trégua decretada, seja pela armas seja pelo bloqueio de bens essenciais. De outro lado Israel experimenta uma emigração massiva de cientistas e engenheiros que não querem compactuar com o atual regime.

Ele concluiu com uma mensagem de esperança que a Paz sobrepuje o fascismo israelense, ainda que demore um tempo:

A vitória na eleição de Israel abre caminho para uma discussão similar a que o Mandela fez na África do Sul – rumo a um governo judeu-árabe.

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Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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